Edemar Cid Ferreira, ex-banqueiro e reconhecido colecionador de arte, construiu em São Paulo uma mansão que se tornou símbolo de opulência e cultura. Localizada no bairro do Alto de Pinheiros, a propriedade foi erguida nos anos 1990 e chegou a ser considerada uma das residências mais sofisticadas da cidade. Com um acervo que reunia obras de mestres como Picasso, Portinari, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral, a casa foi palco de grandes eventos até ser leiloada após a falência do Banco Santos. A Forbes Brasil publicou uma reportagem detalhada sobre os ambientes e a história desse imóvel icônico, que mistura luxo, arte e controversas financeiras.

Principais características da mansão

Construção e arquitetura

Localizada no bairro do Alto de Pinheiros, a mansão foi projetada por arquitetos renomados, com traços marcantes do modernismo brasileiro. São três pavimentos que totalizam milhares de metros quadrados de área construída, incluindo amplos salões decorados com pinturas e esculturas, uma biblioteca com teto de vidro e um acervo de livros raros, além de uma capela com altar barroco. O paisagismo, assinado por Burle Marx, integra jardins com espécies nativas e exóticas.

O hall de entrada tinha pé-direito duplo e uma escadaria monumental em mármore, que davam as boas-vindas aos visitantes. Grandes painéis de vidro ligavam os ambientes internos aos jardins, criando uma sensação de amplitude e contato com a natureza. A infraestrutura de lazer incluía piscina aquecida, quadra de tênis, heliporto e uma adega climatizada com capacidade para milhares de garrafas. Cada detalhe foi planejado para receber a coleção de arte e proporcionar conforto absoluto aos moradores e convidados.

O acervo artístico

Edemar Cid Ferreira começou a colecionar ainda jovem, adquirindo obras de artistas nacionais e internacionais ao longo de décadas. A mansão abrigava centenas de peças, entre pinturas, esculturas, tapeçarias e móveis de época. Destaque para quadros de Picasso, Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Rodin e Dali. A coleção incluía também uma rara tela de Botticelli e um conjunto de gravuras de Rembrandt. Além das obras expostas, havia uma sala de concertos onde o banqueiro recebia músicos renomados para apresentações privadas. A capela, com altar barroco em madeira talhada a ouro, era outro ponto de destaque. O valor do acervo foi estimado em cifras milionárias, tornando-o um dos mais importantes acervos particulares do Brasil.

A coleção de arte sacra incluía imagens barrocas dos séculos XVII e XVIII, paramentos litúrgicos e ourivesaria. Edemar também investia em mobiliário antigo, tapeçarias flamengas e peças de design. Para abrigar tudo, a mansão contava com sistemas de segurança e climatização especiais. Após a falência, a catalogação do acervo exigiu meses de trabalho de especialistas e peritos judiciais.

Leilão e dispersão

Com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Santos pelo Banco Central em 2005, a mansão foi apreendida pela Justiça. O imóvel foi leiloado e arrematado por uma empresa, que o transformou em sede corporativa. Já a coleção de arte foi vendida em leilões separados, arrecadando milhões de reais para o pagamento de credores.

Os leilões ocorreram entre 2006 e 2008, organizados por casas como Christie's e outras leiloeiras, atraindo compradores de vários países. Parte do acervo foi adquirida por museus e colecionadores particulares, incluindo obras que hoje estão expostas em instituições culturais brasileiras como o MASP e a Pinacoteca do Estado. Além das obras de arte, veículos de luxo, mobiliário e outros bens do banqueiro também foram leiloados. O processo de falência revelou um rombo bilionário e levou Edemar Cid Ferreira à condenação por gestão fraudulenta, crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Atualmente, a mansão mantém parte de sua estrutura original, mas sem o acervo e o brilho de outrora.

Perguntas frequentes

Quem foi Edemar Cid Ferreira?

Foi um banqueiro brasileiro, fundador do Banco Santos, e um dos maiores colecionadores de arte do país. Foi condenado por crimes financeiros relacionados à gestão do banco.

Onde ficava a mansão?

No bairro do Alto de Pinheiros, em São Paulo, uma das áreas mais nobres da cidade.

O que aconteceu com a coleção de arte?

Foi leiloada para pagar credores. Muitas obras foram adquiridas por museus e colecionadores particulares, e algumas integram hoje acervos públicos.

Qual foi o valor do prejuízo causado pelo Banco Santos?

O rombo foi estimado em bilhões de reais, e a recuperação dos ativos, incluindo a mansão e o acervo, fez parte do processo de falência que se arrastou por anos.

A mansão pode ser visitada?

Atualmente o imóvel é usado como sede de uma empresa e não está aberto à visitação pública.