Uma advogada e seu cliente foram mortos a tiros dentro de um carro em Parnamirim, na região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte. O crime ocorreu na noite de quarta-feira (31 de janeiro). O delegado responsável pelo caso afirmou que a advogada "provavelmente não era alvo" dos atiradores. A Polícia Civil investiga o caso.
Segundo informações repassadas à imprensa, as vítimas estavam em um veículo quando foram surpreendidas por homens armados. O cliente, que seria alvo da ação criminosa, morreu no local. A advogada chegou a ser socorrida e encaminhada a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
O delegado responsável pelas investigações declarou que a advogada "provavelmente não era o alvo". "Ela estava no lugar errado, na hora errada", afirmou. Ele acrescentou que o ataque foi direcionado ao cliente, que tinha passagens pela polícia e possivelmente envolvimento com o crime organizado.
A advogada atuava na defesa do cliente em um processo criminal. Colegas de profissão a descreveram como dedicada e corajosa. A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB/RN) emitiu nota de pesar e repúdio ao ocorrido, cobrando celeridade nas investigações e punição dos responsáveis.
As autoridades já identificaram suspeitos por meio de imagens de câmeras de segurança e buscam localizá-los. A motivação do crime está sendo apurada, mas a hipótese principal é de acerto de contas relacionado ao cliente. A polícia solicita que qualquer informação seja repassada pelo Disque-Denúncia.
O caso reacende o debate sobre a segurança de advogados que atuam na área criminal. Segundo a OAB, dezenas de profissionais são assassinados no Brasil a cada ano, muitos em razão da atividade profissional. A entidade defende medidas de proteção para advogados que atuam em casos de alto risco.
Parnamirim, cidade onde ocorreu o duplo homicídio, integra a região metropolitana de Natal e tem passado por um crescimento populacional acelerado nas últimas décadas. Esse desenvolvimento, no entanto, veio acompanhado de desafios na área de segurança pública, com o avanço de facções criminosas que disputam o controle do tráfico de drogas e promovem ataques violentos em áreas urbanas e rurais. A população local tem cobrado ações mais efetivas do poder público para conter a escalada da criminalidade.
A comunidade jurídica do Rio Grande do Norte manifestou indignação e pesar. A OAB/RN anunciou que acompanhará de perto cada etapa das investigações e que solicitará ao governo estadual a criação de um programa de proteção específico para advogados criminalistas. A entidade também disponibilizou suporte psicológico aos colegas da vítima e à sua família. O Conselho Federal da OAB emitiu nota de solidariedade e cobrou rigor na apuração dos fatos, lembrando que a violência contra advogados atinge não apenas os profissionais, mas o próprio exercício da advocacia e o Estado de Direito.
Casos de advogados assassinados no exercício da profissão são recorrentes no Brasil. Muitos desses crimes estão relacionados à atuação em processos que envolvem o crime organizado, tráfico de drogas e milícias. A falta de medidas eficazes de proteção a esses profissionais tem sido alvo de críticas de entidades de classe, que defendem a implementação de políticas públicas permanentes, como delegacias especializadas, programas de segurança pessoal e mecanismos de monitoramento de ameaças.
O que se sabe até agora
- Advogada e cliente foram executados a tiros dentro de carro em Parnamirim/RN
- Cliente era o alvo dos criminosos, segundo a polícia
- Advogada não era alvo e foi morta por estar no mesmo veículo
- Suspeitos já foram identificados, mas ninguém foi preso
- OAB/RN acompanha as investigações
Perguntas frequentes
- A advogada era o alvo do ataque?
- Não. De acordo com o delegado, ela "provavelmente não era alvo". A ação criminosa tinha como alvo o cliente.
- Qual era a relação entre a advogada e o cliente?
- Ela atuava como defensora dele em um processo criminal.
- Houve prisões?
- Até o momento, nenhum suspeito foi preso. A polícia já identificou possíveis autores e trabalha para localizá-los.
- Como denunciar informações sobre o caso?
- A polícia solicita que informações sejam repassadas pelo Disque-Denúncia 181.
- Que medidas de segurança podem ser adotadas por advogados criminalistas?
- Recomenda-se evitar deslocamentos noturnos sozinhos, comunicar a OAB sobre casos de risco, utilizar aplicativos de segurança e manter contato com as autoridades sempre que houver ameaças. A entidade também sugere que os profissionais participem de programas de proteção oferecidos em alguns estados.
- O que a OAB tem feito para coibir a violência contra advogados?
- A Ordem atua junto aos governos estaduais e federal para criar políticas de proteção, oferece apoio jurídico e psicológico às vítimas e cobra celeridade nas investigações. No RN, a OAB/RN acompanha o caso e pleiteia a criação de uma delegacia especializada em crimes contra advogados.