A produção da indústria brasileira encerrou 2023 com alta de 0,2% na comparação com o ano anterior, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo IBGE. O resultado, embora modesto, veio acima das expectativas do mercado e foi puxado pelo crescimento em 18 dos 25 ramos pesquisados.

Desempenho por setores

Máquinas e equipamentos (10,9%) e veículos automotores (7,6%) foram os destaques positivos do ano. A produção de máquinas foi beneficiada pelo investimento em bens de capital, enquanto o setor automotivo foi impulsionado pela queda gradual dos juros e pela oferta de crédito, que estimulou a compra de veículos novos.

Outros setores que contribuíram positivamente foram produtos de metal (8,2%), material eletrônico (6,1%) e produtos químicos (2,4%). Juntos, esses cinco setores responderam por grande parte do crescimento da indústria em 2023.

Do lado das quedas, as indústrias extrativas (-2,3%) e vestuário e acessórios (-4,2%) exerceram as principais influências negativas. A produção de alimentos, que tem grande peso na indústria, recuou 0,5% no ano, impactada pela deflação de alimentos e pela redução das margens da indústria de processamento.

Desempenho por categorias econômicas

Segundo o IBGE, a produção de bens de capital cresceu 8,2% em 2023, impulsionada pelo aumento dos investimentos em máquinas e equipamentos. A produção de bens intermediários teve alta de 0,3%, enquanto bens de consumo duráveis avançaram 5,1%, puxados por veículos e eletrodomésticos. Já os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 0,7%, impactados pela queda na produção de alimentos e vestuário.

Análise regional

Regionalmente, a produção industrial apresentou crescimento em 12 dos 15 locais pesquisados pela PIM Regional. Os destaques foram Pará (15,1%), Goiás (7,8%) e Santa Catarina (6,2%). O principal parque industrial do país, São Paulo, registrou alta de 1,1%, enquanto o Rio de Janeiro teve queda de 1,4%, influenciada pela redução da atividade extrativa.

Comparação mensal

Na comparação mensal, a produção industrial subiu 1,1% em dezembro na série com ajuste sazonal, ante novembro. Essa foi a segunda taxa positiva consecutiva, após alta de 1,0% em novembro. O setor de veículos automotores (4,2%) exerceu a maior influência positiva no mês, seguido por equipamentos de informática (6,7%).

Recuperação ainda incompleta

Apesar da alta no ano, o nível da produção industrial ainda está 15% abaixo do pico histórico registrado em maio de 2011. A recuperação total do setor depende de fatores estruturais como investimentos em infraestrutura, desoneração da folha de pagamentos para setores intensivos em mão de obra e melhoria do ambiente de negócios.

Perspectivas para 2024

Para 2024, as expectativas do mercado financeiro, captadas pelo Boletim Focus do Banco Central, indicam um crescimento mais robusto para a indústria, com projeções em torno de 1,5% a 2,0%. O principal motor deve ser o ciclo de cortes na taxa Selic, que torna o crédito mais barato e estimula o investimento produtivo. Além disso, a recuperação do mercado de trabalho, com queda do desemprego e aumento da renda, deve sustentar a demanda por bens industriais. A aprovação da reforma tributária em dezembro de 2023 também é vista como um fator positivo para o ambiente de negócios no longo prazo.

No entanto, o cenário externo continua desafiador. A desaceleração da economia global, especialmente da China, e as altas taxas de juros nos Estados Unidos podem limitar as exportações de manufaturados e encarecer o financiamento de projetos. A guerra comercial entre Estados Unidos e China também representa um risco para as cadeias globais de valor.

Outro fator que pode impulsionar a indústria em 2024 é a safra recorde de grãos, que beneficia a indústria de máquinas agrícolas e insumos. A queda da inflação de alimentos também deve liberar renda para o consumo de outros bens, como eletrodomésticos e eletrônicos.

Setores em destaque em 2023

  • Máquinas e equipamentos: +10,9%
  • Veículos automotores: +7,6%
  • Produtos de metal: +8,2%
  • Material eletrônico: +6,1%
  • Produtos químicos: +2,4%
  • Vestuário e acessórios: -4,2%
  • Indústrias extrativas: -2,3%
  • Alimentos: -0,5%

Perguntas frequentes sobre a produção industrial em 2023

A produção da indústria brasileira cresceu em 2023? Sim. Segundo o IBGE, a produção industrial teve alta de 0,2% na comparação com 2022, interrompendo a trajetória de queda registrada no ano anterior.

Qual foi o setor industrial que mais se destacou? O setor de máquinas e equipamentos foi o grande destaque, com crescimento de 10,9% em 2023. Veículos automotores também teve alta expressiva de 7,6%.

Quantos setores da indústria cresceram em 2023? Dos 25 ramos pesquisados pelo IBGE na PIM, 18 registraram crescimento na produção em 2023.

A indústria já retornou ao nível pré-pandemia? Não totalmente. Apesar da alta em 2023, o patamar da produção industrial ainda é significativamente inferior ao pico de 2011 e, em alguns setores, ainda não superou as perdas da pandemia de Covid-19.

Qual a perspectiva para o setor industrial em 2024? A expectativa é de uma aceleração do crescimento, impulsionada pela queda dos juros, safra recorde de grãos e fortalecimento do mercado interno. O Boletim Focus projeta alta de cerca de 1,5% a 2,0% para a indústria em 2024.

Como a reforma tributária pode impactar a indústria? A reforma tributária aprovada no final de 2023 promete simplificar o sistema de impostos e reduzir custos burocráticos, o que pode beneficiar a competitividade industrial no longo prazo. O impacto concreto, no entanto, dependerá da regulamentação e da transição gradual para o novo regime.

Qual o papel da taxa de juros no desempenho industrial? A taxa Selic influencia diretamente o custo do crédito para investimentos e consumo. Com a queda dos juros a partir de agosto de 2023, o financiamento para aquisição de máquinas e veículos se tornou mais acessível, contribuindo para a recuperação da produção industrial nos últimos meses do ano.