A dengue segue como uma das doenças tropicais mais impactantes no Brasil, impondo um elevado custo social e econômico ao país. Um levantamento divulgado pelo portal R7, e repercutido pelo Astratu, escancara a magnitude do problema nas últimas duas décadas: foram aproximadamente 10 mil mortes confirmadas e mais de 16 milhões de casos prováveis registrados entre 2004 e 2024. O número representa uma média alarmante de cerca de 800 mil infecções anuais.
A transmissão do vírus ocorre exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, inseto extremamente adaptado ao ambiente urbano brasileiro. A proliferação do vetor é diretamente influenciada por fatores climáticos e ambientais. O acúmulo de água parada em recipientes descartáveis, pneus, lajes e caixas d'água destampadas cria criadouros perfeitos, tornando a prevenção domiciliar uma batalha constante.
Historicamente, o Brasil enfrenta ciclos epidêmicos de dengue a cada poucos anos. O período de 2023 a 2024 foi particularmente severo, com uma combinação de altas temperaturas, chuvas intensas e a reintrodução de sorotipos virais que há muito não circulavam, elevando o número de casos graves e óbitos. A situação sobrecarregou unidades de saúde em diversos estados e acendeu um alerta para a necessidade de um plano nacional de contingência mais robusto.
Embora a vacinação contra a dengue tenha sido incorporada ao SUS para crianças e adolescentes em regiões endêmicas, a cobertura vacinal ainda é limitada. Isso significa que as medidas tradicionais de controle, como a eliminação de criadouros e o uso de repelentes, continuam sendo as principais ferramentas de proteção individual e coletiva.
A reportagem do R7 serve como um importante registro histórico e um alerta para o futuro. Especialistas em saúde pública destacam que, sem um investimento sustentado em vigilância epidemiológica, saneamento básico e educação em saúde, o Brasil continuará refém de surtos sazonais de dengue que ceifam centenas de vidas a cada ano. O combate ao Aedes aegypti exige uma ação coordenada e contínua entre governo e sociedade.
Fonte: R7.com