Em depoimento no julgamento realizado na Audiência de Barcelona, a modelo Joana Sanz, esposa do ex-jogador Daniel Alves, confirmou que o atleta estava embriagado na noite em que teria cometido o estupro contra uma jovem de 23 anos em uma boate da cidade. O depoimento é considerado um dos momentos-chave do processo, que pode condenar o brasileiro a até 12 anos de prisão. O caso, que completa mais de um ano de tramitação, voltou aos holofotes com a fase final de alegações e julgamento.
O depoimento de Joana Sanz
Joana Sanz, casada com Daniel Alves desde 2015, prestou depoimento como testemunha de defesa na seção 21 da Audiência de Barcelona. Em sua fala, ela afirmou que o jogador chegou em casa na manhã do dia 31 de dezembro de 2022 visivelmente embriagado. Segundo relatos da imprensa espanhola, a modelo declarou ao tribunal que o marido estava "muito bêbado" e que percebeu o estado alterado assim que ele entrou em casa. Ela detalhou que Daniel Alves mal conseguia se manter em pé e que foi se deitar imediatamente.
O depoimento foi acompanhado de perto pela vítima e seus representantes legais, além de dezenas de jornalistas brasileiros e espanhóis. A defesa de Daniel Alves esperava que o testemunho da esposa pudesse corroborar a tese de que o jogador estava sob efeito de álcool e, portanto, com capacidade reduzida de discernimento. No entanto, a acusação argumenta que a embriaguez não exclui a culpabilidade e que o jogador agiu com plena consciência de seus atos, apontando que o consumo de álcool foi voluntário.
A acusação contra Daniel Alves
Daniel Alves é acusado de estuprar uma jovem em uma boate de Barcelona na madrugada do dia 31 de dezembro de 2022. De acordo com a denúncia, a vítima, que estava em uma área VIP da boate, foi convidada a entrar no banheiro pelo jogador. Ela relatou que tentou sair, mas foi impedida, e que Daniel Alves a teria agredido sexualmente contra sua vontade. A defesa sustenta que a relação foi consensual e que não houve violência ou intimidação.
A jovem prestou queixa poucos dias após o ocorrido, e Daniel Alves foi preso preventivamente em janeiro de 2023. Desde então, ele permanece detido na prisão de Brians 2, em Barcelona, aguardando o desfecho do julgamento. A prisão preventiva foi mantida por risco de fuga, dada a falta de vínculos do jogador com a Espanha e seu alto poder econômico.
A estratégia de defesa
A defesa de Daniel Alves tem adotado diferentes estratégias ao longo do processo. Inicialmente, o jogador negou qualquer contato sexual com a vítima. Posteriormente, mudou sua versão e admitiu ter mantido relação sexual, mas afirmou que foi consensual. O consumo de álcool tornou-se um elemento central na estratégia de defesa. Os advogados argumentam que o estado de embriaguez pode ter comprometido a percepção de Daniel Alves sobre o consentimento da vítima.
O depoimento de Joana Sanz, confirmando o estado alterado do jogador, foi utilizado pela defesa para reforçar esse argumento. No entanto, especialistas jurídicos apontam que a embriaguez voluntária não é considerada excludente de culpabilidade no direito penal espanhol, podendo no máximo ser considerada como atenuante, dependendo do grau de comprometimento da consciência.
O julgamento na Espanha
O julgamento de Daniel Alves ocorre na seção 21 da Audiência de Barcelona, sob a supervisão de três juízes. O Ministério Público espanhol pediu a condenação do jogador a 9 anos de prisão, além de indenização à vítima no valor de 150 mil euros. Já a acusação particular, que representa a jovem, solicita uma pena de 12 anos de reclusão e uma indenização maior.
O processo corre em segredo de justiça em parte de seus trâmites para preservar a identidade da vítima, mas algumas sessões são abertas ao público. A defesa já anunciou que, em caso de condenação, recorrerá à instância superior, podendo chegar ao Tribunal Supremo da Espanha.
Repercussão no Brasil e no mundo
O caso Daniel Alves foi amplamente coberto pela imprensa brasileira e internacional. Por ser um dos jogadores mais vitoriosos da história do futebol, com títulos como a Champions League, Copa América e Copa do Mundo, a notícia chocou fãs e gerou debates sobre violência sexual no esporte e a impunidade de atletas famosos.
Patrocinadores como Mastercard, Doritos e o próprio clube Pumas rescindiram contratos com o jogador. A carreira de Daniel Alves, que incluía passagens por Barcelona, Juventus, PSG e São Paulo, foi interrompida abruptamente. O caso também reacendeu discussões sobre o tratamento da mídia brasileira em casos de violência sexual envolvendo figuras públicas.
Possíveis consequências
Se condenado, Daniel Alves pode cumprir pena em regime fechado na Espanha. A defesa estuda recorrer a instâncias superiores e, se necessário, ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Independentemente do desfecho jurídico, o caso já teve um impacto significativo na vida pessoal e profissional do jogador. Joana Sanz, que inicialmente se afastou do marido após a revelação das acusações, posteriormente passou a visitá-lo na prisão e demonstrou apoio público, o que também gerou repercussão nas redes sociais.
Perguntas frequentes sobre o caso
O que Daniel Alves é acusado? Daniel Alves é acusado de estupro contra uma jovem de 23 anos em uma boate de Barcelona, ocorrido na madrugada do dia 31 de dezembro de 2022.
Onde ocorre o julgamento? O julgamento ocorre na seção 21 da Audiência de Barcelona, na Espanha, com um tribunal composto por três juízes.
Qual a pena solicitada? O Ministério Público pede 9 anos de prisão e indenização de 150 mil euros. A acusação particular solicita 12 anos de reclusão.
O que a esposa de Daniel Alves disse no tribunal? Joana Sanz confirmou que o jogador estava embriagado na noite do incidente, afirmando que ele chegou em casa visivelmente alterado pelo consumo de álcool.
Daniel Alves continua preso? Sim, ele está em prisão preventiva desde janeiro de 2023 na Penitenciária de Brians 2, em Barcelona, aguardando a sentença final.