A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti que afeta milhões de brasileiros todos os anos. Embora a maioria das infecções seja assintomática ou resulte em sintomas leves, uma parcela significativa dos casos pode evoluir para a forma grave da doença, popularmente conhecida como dengue hemorrágica. O termo técnico utilizado pelos profissionais de saúde é dengue grave, e reconhecer os seus sinais precocemente pode fazer toda a diferença entre a recuperação rápida e complicações sérias.
O Brasil enfrenta ciclos epidêmicos de dengue, e os casos graves costumam aumentar em períodos de alta transmissão. Compreender como a doença se manifesta, quais os fatores de risco e os sintomas de alarme é essencial para buscar atendimento médico no momento certo e evitar desfechos fatais.
O que é a dengue hemorrágica?
A dengue grave é uma complicação que ocorre quando há um aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, levando ao extravasamento de plasma. Esse vazamento de líquido pode causar uma queda acentuada da pressão arterial (choque), hemorragias internas e o comprometimento de órgãos vitais como o fígado, o coração e o sistema nervoso central.
A condição está fortemente associada a infecções secundárias, ou seja, quando uma pessoa que já teve dengue é infectada novamente por um sorotipo diferente do vírus. Nesses casos, o sistema imunológico reage de forma exacerbada, desencadeando uma resposta inflamatória descontrolada que danifica os vasos sanguíneos.
Quais são os sintomas da dengue grave?
Os primeiros sintomas da dengue são inespecíficos e incluem febre alta (acima de 38,5°C), dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, náuseas e manchas vermelhas na pele. O grande perigo é que a evolução para a forma grave geralmente ocorre quando a febre começa a ceder, entre o 3º e o 7º dia da doença. Os sinais de alarme que indicam a progressão para a dengue hemorrágica incluem:
- Dor abdominal intensa e contínua (não alivia com analgésicos comuns);
- Vômitos persistentes, que dificultam a hidratação oral;
- Sangramento de mucosas (gengivas, nariz, urina escura ou fezes pretas);
- Queda de pressão ao levantar-se (tontura, sensação de desmaio);
- Letargia, sonolência excessiva, cansaço extremo ou irritabilidade;
- Acúmulo de líquidos no abdômen (ascite) ou no tórax (derrame pleural);
- Aumento do tamanho do fígado (hepatomegalia) detectado ao exame físico.
Qualquer pessoa com suspeita de dengue que apresente um ou mais desses sintomas deve procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica urgente.
Fases da doença
A dengue grave evolui em três fases principais. A fase febril dura de 3 a 7 dias e é quando ocorrem os sintomas clássicos. A fase crítica começa com a queda da febre (entre o 3º e o 7º dia) e dura de 24 a 48 horas. É nesse período que o extravasamento de plasma atinge o pico e os sinais de alarme se manifestam com maior intensidade. O monitoramento médico rigoroso é crucial nesta etapa. A fase de recuperação ocorre nas 24 a 48 horas seguintes, com melhora gradual do quadro e reabsorção do líquido extravasado pelo organismo.
Fatores de risco
Embora qualquer pessoa infectada possa desenvolver a forma grave, alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade. Entre eles estão crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão arterial, asma e doenças autoimunes. O principal fator de risco, no entanto, é ter tido dengue anteriormente. A infecção por um sorotipo diferente do vírus aumenta exponencialmente as chances de desenvolver a reação inflamatória exacerbada que caracteriza a dengue hemorrágica.
Tratamento e prevenção
Não existe um antiviral específico para combater o vírus da dengue. O tratamento é essencialmente de suporte e se baseia na hidratação rigorosa (oral nos casos leves e intravenosa nos casos moderados e graves), no controle da febre com antitérmicos seguros (como paracetamol e dipirona, evitando-se aspirina e anti-inflamatórios que aumentam o risco de sangramento) e no monitoramento dos sinais de alarme. Os casos graves exigem internação hospitalar, muitas vezes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para reposição volêmica e suporte hemodinâmico.
A prevenção continua sendo a melhor estratégia. As medidas incluem o combate ao mosquito transmissor com a eliminação de criadouros (água parada em vasos, pneus, garrafas e calhas), o uso de repelentes e mosquiteiros, e a aplicação de inseticidas em áreas de surto. A vacinação contra a dengue (vacina Qdenga) está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 6 a 16 anos e representa uma ferramenta importante para reduzir a incidência de casos graves e hospitalizações.
Perguntas frequentes sobre dengue hemorrágica
É possível ter dengue hemorrágica na primeira infecção?
Sim, embora o risco seja muito maior em pessoas que já tiveram dengue anteriormente. Crianças, idosos e pacientes com comorbidades podem desenvolver a forma grave mesmo durante a primeira infecção. Estatisticamente, porém, a maioria dos casos de dengue grave está associada a infecções secundárias.
Como diferenciar a dengue clássica da dengue hemorrágica?
A dengue clássica apresenta sintomas incômodos, mas geralmente não oferece risco de morte. A dengue hemorrágica se caracteriza pela presença dos sinais de alarme, especialmente o extravasamento plasmático, a queda de plaquetas e o aumento do hematócrito nos exames de sangue. A avaliação médica com exames laboratoriais é a única forma de fazer essa diferenciação com segurança.
Quanto tempo dura a recuperação da dengue grave?
A recuperação da dengue hemorrágica é mais lenta do que da forma clássica. Após a alta hospitalar, o paciente pode sentir cansaço e fraqueza por semanas. O acompanhamento médico pós-internação é importante para monitorar a normalização dos exames e garantir a plena recuperação.