A Polícia Federal descobriu que os dois fugitivos da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, utilizaram aparelhos celulares roubados para fazer ligações para o estado do Rio de Janeiro durante o período em que estiveram foragidos. A informação foi divulgada pelo Poder360 e faz parte da investigação que resultou na recaptura dos criminosos.
A Primeira Fuga do Sistema Penitenciário Federal
Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento escaparam da penitenciária de segurança máxima em Mossoró no dia 14 de fevereiro de 2024. A fuga foi a primeira registrada na história do sistema penitenciário federal brasileiro, deflagrando uma das maiores operações de busca do país, envolvendo a Polícia Federal, a Força Nacional e as polícias estaduais.
A mobilização foi imediata e contou com o apoio de centenas de agentes, cães farejadores, helicópteros e drones. A região da fuga, que abrange a divisa entre Rio Grande do Norte e Ceará, foi intensamente vasculhada, mas os fugitivos conseguiram se manter escondidos por semanas, utilizando táticas de sobrevivência e uma rede de apoio criminosa.
Uso de Celulares Roubados nas Ligações
Segundo as investigações, os fugitivos utilizaram telefones celulares de procedência criminosa — roubados durante a fuga ou obtidos com o auxílio de terceiros — para estabelecer contato com pessoas no Rio de Janeiro. A estratégia de usar aparelhos com números não identificados dificultou o rastreamento inicial, mas a Polícia Federal conseguiu cruzar informações de torres de telefonia e identificar os números de destino.
Os registros indicam que as ligações eram curtas e estratégicas, possivelmente para combinar pontos de encontro, receber suprimentos e obter informações sobre os mandados de prisão em aberto. A PF destacou que o uso de chips e aparelhos de terceiros é uma prática comum de criminosos de alta periculosidade para evitar a localização por meios tecnológicos.
Conexão com o Rio de Janeiro
As ligações para o Rio de Janeiro indicam que os fugitivos mantinham uma rede de apoio fora do sistema prisional. As investigações apontam que os contatos no RJ podem ter fornecido instruções logísticas, financeiras e informações sobre os mandados de prisão em aberto. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços na capital fluminense e em outras cidades do estado para aprofundar as investigações sobre a participação desses contatos.
A suspeita é de que os fugitivos estivessem tentando se conectar a facções criminosas com atuação nacional para garantir refúgio e recursos. A descoberta das ligações foi um ponto de virada na investigação, permitindo que a PF restringisse a área de buscas e monitorasse possíveis rotas de fuga.
Recaptura em Marabá e Desdobramentos
Após 50 dias de fuga, Rogério e Deibson foram recapturados no dia 4 de abril de 2024, em Marabá, no sudeste do Pará. Com eles, a polícia encontrou armas, munições, dinheiro e suprimentos. A recaptura foi considerada o desfecho de uma investigação complexa que mobilizou centenas de policiais e utilizou tecnologia de ponta, incluindo o rastreamento das chamadas telefônicas.
O caso gerou uma série de questionamentos sobre a segurança nas penitenciárias federais e levou à implementação de novos protocolos de vigilância. Os fugitivos foram transferidos para presídios de segurança máxima em outros estados e respondem por fuga qualificada, dano ao patrimônio público e, potencialmente, por associação criminosa durante o período em que estiveram foragidos.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Entenda melhor os detalhes do caso com as perguntas e respostas abaixo.
Quem são os fugitivos de Mossoró?
Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento são presos de alta periculosidade ligados ao crime organizado. Eles estavam detidos na Penitenciária Federal de Mossoró, considerada uma das mais seguras do país, cumprindo penas por crimes como homicídio, tráfico de drogas e associação criminosa.
Como eles conseguiram os celulares roubados?
As investigações indicam que os celulares podem ter sido roubados durante a fuga ou fornecidos por uma rede de apoio externa que atuou para garantir a sobrevivência dos foragidos durante o período em que estiveram escondidos na região de fronteira entre os estados.
Qual foi o papel do Rio de Janeiro na fuga?
O Rio de Janeiro serviu como um ponto de contato fundamental para os fugitivos. As ligações feitas para o estado tinham como objetivo obter instruções e apoio logístico de pessoas ligadas a facções criminosas com atuação nacional, embora a investigação ainda busque determinar o nível de envolvimento de cada contato.
Como a Polícia Federal rastreou as ligações?
A PF utilizou técnicas de inteligência e análise de dados de telefonia para identificar os números de celular roubados utilizados pelos fugitivos e cruzar as informações com os locais das chamadas. O cruzamento de dados de torres de celular foi essencial para restringir a área de busca e eventualmente localizar os foragidos no Pará.