Profissional de saúde aplica vacina contra a dengue em adolescente durante campanha de imunização

Com o objetivo de ampliar a cobertura vacinal e conter o avanço acelerado dos casos de dengue no país, postos de saúde de diversas cidades brasileiras estão abertos neste fim de semana para vacinação contra a doença. A iniciativa faz parte da estratégia do Ministério da Saúde para alcançar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público-alvo definido como prioritário nesta fase da campanha. A abertura das unidades em horário especial nos sábados e domingos busca facilitar o acesso da população que não consegue levar os jovens para vacinar durante a semana. As secretarias municipais de saúde são responsáveis por definir quais postos funcionarão e os horários de atendimento. Neste fim de semana, a expectativa é vacinar milhares de jovens em todo o Brasil, com horários geralmente das 8h às 17h.

Cenário da dengue no Brasil

O Brasil enfrenta um período de alta incidência de dengue, com a circulação simultânea dos quatro sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Dados do Ministério da Saúde indicam um aumento expressivo no número de casos prováveis nas primeiras semanas de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. A vacinação é considerada uma ferramenta fundamental para reduzir o número de hospitalizações e óbitos pela doença, especialmente entre crianças e adolescentes, faixa etária que historicamente apresenta maior taxa de internação por dengue no Brasil. A imunização nesse grupo estratégico contribui para reduzir a circulação do vírus e proteger indiretamente toda a comunidade.

Além da vacinação, as medidas de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti continuam sendo essenciais. A eliminação de criadouros, como virar garrafas, tampar caixas d'água e limpar calhas, o uso de repelentes e a instalação de telas em janelas são ações recomendadas para toda a população. A combinação da imunização com o controle do vetor é a estratégia mais eficaz para reduzir a transmissão da dengue.

Documentos necessários e onde se vacinar

Para receber a vacina, é obrigatório apresentar um documento de identificação com foto (RG ou Certidão de Nascimento) e a carteira de vacinação. Menores de idade devem estar acompanhados de um responsável legal. A vacina Qdenga é aplicada em duas doses com intervalo de três meses — é importante que os pais ou responsáveis anotem a data da segunda dose para garantir a proteção completa.

Para saber quais postos estão abertos no fim de semana, a recomendação é consultar o site oficial da Prefeitura ou da Secretaria Municipal de Saúde da sua cidade. Muitas unidades também divulgam os horários especiais em suas redes sociais ou aplicativos oficiais. Geralmente, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e os centros de saúde dos bairros são os locais de referência para a imunização. Em algumas cidades, a vacinação está sendo realizada também em escolas e centros comunitários para ampliar o alcance. É aconselhável levar também um comprovante de residência para agilizar o cadastro, caso solicitado.

A vacina Qdenga

A vacina aplicada atualmente na campanha é a Qdenga (TAK-003), produzida pelo laboratório japonês Takeda. Diferente da vacina anterior (Dengvaxia), que exigia esquema de três doses e era indicada apenas para quem já tinha tido dengue, a Qdenga pode ser administrada em pessoas que tiveram ou não contato prévio com o vírus. O esquema é de duas doses com intervalo de três meses.

Estudos clínicos demonstraram eficácia contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, com maior proteção contra os sorotipos 1 e 2. Segundo estudos publicados em revistas científicas, a vacina reduziu em 84% o número de hospitalizações por dengue e em 61% os casos sintomáticos da doença em crianças e adolescentes. Os resultados foram obtidos após cinco anos de acompanhamento, mostrando segurança e eficácia consistentes. Os efeitos colaterais mais comuns são dor no local da aplicação, febre baixa, dor de cabeça e cansaço, que geralmente desaparecem em até 48 horas.

Por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, a Qdenga é contraindicada para gestantes, lactantes, pessoas com imunossupressão grave e alergia grave a algum componente da fórmula. Pessoas com doença febril aguda devem adiar a vacinação até a recuperação completa. Em caso de dúvida, o médico deve ser consultado antes da aplicação.

Pontos principais sobre a vacinação

  • A campanha é voltada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos;
  • A vacina Qdenga é aplicada em duas doses, com intervalo de três meses;
  • Não é necessário agendamento — basta procurar um posto de saúde participante;
  • Levar documento de identidade e carteira de vacinação é obrigatório;
  • A vacinação não substitui as medidas de prevenção contra o mosquito da dengue;
  • A segunda dose é essencial para a proteção completa.

Perguntas frequentes sobre a vacinação

  • Precisa agendar? Não, a vacinação contra a dengue está sendo feita por demanda espontânea nos postos de saúde. Basta comparecer a uma unidade participante com os documentos necessários.
  • Quem pode se vacinar? Crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme a disponibilidade de doses em cada município. O Ministério da Saúde definiu essa faixa etária como prioritária devido à maior circulação viral e ao risco de hospitalização.
  • Estou gripado, posso tomar? É recomendado esperar a melhora dos sintomas para evitar confundir possíveis efeitos da vacina com a doença. Em caso de febre alta, é melhor adiar a vacinação.
  • Posso tomar se já tive dengue? Sim, mas é indicado aguardar seis meses após a infecção para receber a vacina. Quem já teve dengue pode se beneficiar da imunização, pois a vacina amplia a proteção contra outros sorotipos.
  • Qual a eficácia da vacina? Estudos clínicos indicam que a Qdenga reduz em até 84% as hospitalizações por dengue e em 61% os casos sintomáticos. A proteção é mais robusta contra os sorotipos 1 e 2, mas a vacina também confere proteção parcial contra os sorotipos 3 e 4.
  • Preciso tomar a segunda dose? Sim, o esquema vacinal completo exige duas doses com intervalo de três meses para garantir a proteção duradoura. A segunda dose é essencial para a eficácia plena.
  • A vacina substitui o combate ao mosquito? Não. A vacinação é uma importante ferramenta de prevenção, mas o combate ao Aedes aegypti continua sendo fundamental para evitar a proliferação do mosquito e reduzir a transmissão de todas as arboviroses (dengue, zika e chikungunya).
  • A vacina é segura? Sim, a Qdenga passou por rigorosos ensaios clínicos e é aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os eventos adversos são geralmente leves e temporários, como dor no local e febre baixa.

A dengue é uma doença grave que pode levar à morte. A vacinação, aliada às medidas de proteção individual e coletiva, é a melhor estratégia para enfrentar a doença. Procure o posto de saúde mais próximo e proteja-se. A campanha de vacinação no fim de semana é uma oportunidade para quem tem dificuldade de comparecer durante a semana — não deixe de levar seu filho ou filha para se vacinar. Cada dose aplicada contribui para a proteção coletiva e reduz a sobrecarga nos hospitais durante a alta temporada de dengue.