A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta preocupante sobre a situação da dengue no Brasil. Segundo a entidade, diversos estados brasileiros enfrentam uma epidemia da doença, com um aumento expressivo no número de casos registrados nas primeiras semanas de 2024. O cenário acendeu um sinal de alerta máximo nas autoridades de saúde pública, que intensificaram as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus.
Situação nos Estados
O Ministério da Saúde já registrou um aumento explosivo de casos prováveis de dengue nas primeiras semanas do ano, superando recordes históricos para o período. Diante do cenário, diversos estados e municípios das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul decretaram situação de emergência em saúde pública, permitindo a adoção de medidas administrativas e financeiras mais ágeis para o controle da doença. A Opas reforçou a necessidade de cooperação regional e do fortalecimento dos sistemas de vigilância epidemiológica para conter o avanço do vírus.
Estados como Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná registram as maiores taxas de incidência. As mudanças climáticas, intensificadas pelo fenômeno El Niño, que elevam as temperaturas e aumentam o volume de chuvas, criaram condições ideais para a proliferação do mosquito, agravando a crise de saúde pública em todo o território nacional.
Sintomas e Diagnóstico
A dengue se manifesta com sintomas que podem variar de leves a graves. Os sinais mais comuns incluem febre alta (acima de 38°C), dores musculares intensas, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, cansaço extremo, náuseas e manchas vermelhas na pele. É crucial que ao apresentar os primeiros sintomas, o paciente busque atendimento médico para avaliação e diagnóstico preciso.
É importante ficar atento aos sinais de alarme que indicam a evolução para a forma grave da doença, como dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosa ou letargia. Ao apresentar qualquer um desses sintomas, o paciente deve procurar imediatamente um serviço de urgência. O tratamento é focado no alívio dos sintomas, com hidratação abundante e repouso, sendo contraindicado o uso de anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico (AAS).
Prevenção
O combate ao Aedes aegypti é a principal arma contra a dengue. Cerca de 75% dos focos do mosquito estão dentro das residências, o que torna a colaboração da população fundamental. As principais medidas de prevenção incluem:
- Eliminar água parada em vasos de plantas, pneus velhos, garrafas PET e recipientes plásticos.
- Manter caixas d'água, tonéis e reservatórios bem tampados.
- Desobstruir calhas e lajes com frequência.
- Colocar areia nos pratinhos de vasos de plantas.
- Manter piscinas tratadas e lonas bem esticadas.
- Usar repelente e roupas que protejam o corpo, principalmente durante o dia.
A aplicação de inseticida (fumacê) em áreas de grande infestação é uma medida complementar adotada pelas prefeituras, mas não substitui a necessidade de eliminar os criadouros. Agentes de saúde e de endemias têm realizado visitas domiciliares para orientar a população e identificar focos do mosquito.
Vacinação
O Brasil deu um passo importante no combate à dengue com a introdução da vacina no Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina, aplicada em duas doses, está disponível inicialmente para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações pela doença. A estratégia de vacinação visa reduzir os casos graves e óbitos a médio e longo prazo, complementando as ações de controle do vetor.
Embora a vacina represente um avanço significativo, ela não substitui as medidas de proteção individual e coletiva. A luta contra a dengue é contínua e exige a mobilização de toda a sociedade, desde o poder público até cada cidadão, para reduzir os impactos dessa doença que afeta milhares de brasileiros todos os anos.
Perguntas Frequentes
O que é a dengue?
A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito fêmea Aedes aegypti. Existem quatro sorotipos do vírus, e a infecção por um deles não protege contra os outros, podendo a pessoa ter dengue mais de uma vez.
Qual a diferença entre a dengue clássica e a grave?
A dengue clássica apresenta sintomas como febre, dores no corpo e manchas na pele. A dengue grave é uma complicação séria que pode levar a sangramentos, queda de pressão e danos aos órgãos, exigindo atendimento médico de urgência. Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramento de mucosas.
Como é feito o tratamento para a dengue?
Não existe um medicamento específico para curar a dengue. O tratamento é de suporte, com recomendações de repouso, ingestão de bastante líquido e uso de medicamentos para dor e febre, como paracetamol. O médico deve ser consultado antes de qualquer medicação.
O que fazer para evitar a proliferação do mosquito em casa?
A principal medida é eliminar os criadouros do mosquito. Isso inclui verificar se não há água parada em vasos de plantas, lajes, calhas, garrafas, pneus, ralos e outros recipientes. O uso de repelentes, mosquiteiros e telas em janelas também ajuda a evitar a picada do mosquito.
A vacina contra a dengue é eficaz?
Sim, a vacina contra a dengue disponível no SUS (Qdenga) é eficaz e segura. Ela protege contra os quatro sorotipos do vírus, reduzindo significativamente o risco de formas graves da doença e hospitalizações. A vacinação é a medida mais efetiva a longo prazo para o controle da dengue, combinada com a prevenção tradicional.
Fonte: G1