Um levantamento especial realizado pelo jornal Estado de Minas, com base nos microdados do Censo Demográfico 2022 do IBGE, revelou um fato que chama a atenção sobre o perfil urbano do estado: existem 11 municípios mineiros que não registraram nenhum prédio residencial em seu território. Isso significa que, nessas localidades, 100% da população urbana mora em casas térreas ou sobrados, sem a presença de edifícios de apartamentos. A verticalização, fenômeno comum nas médias e grandes cidades brasileiras, simplesmente não faz parte da paisagem desses lugares. O dado foi destaque na edição do jornal e gerou curiosidade sobre quais são essas cidades e por que elas permanecem sem prédios.
O levantamento do Estado de Minas
A reportagem do Estado de Minas utilizou os microdados do Censo 2022 para mapear a presença de domicílios em prédios residenciais em cada um dos 853 municípios mineiros. A análise mostrou que, em 11 deles, o número de apartamentos é zero. A sondagem considerou unicamente os edifícios residenciais, excluindo construções comerciais ou mistas. De acordo com o jornal, o estudo foi feito em parceria com especialistas em urbanismo e geografia, que destacaram a relevância do achado para entender as diferenças regionais dentro do estado.
O perfil das 11 cidades
As cidades que aparecem na lista estão espalhadas por diversas regiões de Minas Gerais. Embora o jornal não tenha divulgado nominalmente todos os 11 municípios, a reportagem apontou que elas se concentram sobretudo no Norte de Minas, nos vales do Jequitinhonha e do Mucuri, mas também há exemplares na Zona da Mata, no Sul de Minas, no Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba. O traço comum entre elas é o porte demográfico: a maioria possui menos de 5 mil habitantes. Muitas têm a economia baseada na agropecuária de subsistência, na extração vegetal ou na pecuária leiteira, com baixa densidade populacional e comércio local restrito.
Outro ponto em comum é a distância dos grandes centros regionais. Esses municípios, em geral, estão situados em áreas onde o preço da terra urbana ainda é baixo e não há pressão imobiliária para construir para cima. A cultura construtiva predominante é a da casa própria erguida aos poucos, muitas vezes com recursos próprios ou com auxílio de programas habitacionais voltados para moradias térreas, como o Minha Casa Minha Vida em sua modalidade rural ou urbana de baixa renda.
Por que não há prédios?
Especialistas ouvidos pelo Estado de Minas explicam que a ausência de edifícios residenciais decorre de uma combinação de fatores econômicos, sociais e de planejamento urbano. Em primeiro lugar, a demanda local não justifica investimentos em verticalização: a população é pequena e não há migração significativa que pressione o mercado de moradias. Além disso, o custo de construção de um prédio de apartamentos é mais alto do que o de casas, e o retorno financeiro é incerto em localidades com baixa renda per capita.
Outro fator relevante é a própria legislação urbanística. Muitos desses municípios não possuem planos diretores que incentivem a verticalização ou que criem zonas de adensamento. Em alguns casos, as leis municipais limitam a altura das construções para preservar o perfil rural ou para evitar custos de infraestrutura que o pequeno município não teria condições de arcar.
Culturalmente, a preferência pela casa própria com quintal ainda é muito forte nessas regiões. O mineiro do interior, em grande parte, valoriza o espaço ao ar livre, a horta caseira e a privacidade de uma moradia isolada. Esse aspecto cultural também desestimula o mercado de apartamentos.
O contexto mineiro e nacional
Minas Gerais é um estado de contrastes urbanos. Enquanto a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Triângulo Mineiro (com Uberlândia e Uberaba) e a Zona da Mata (com Juiz de Fora) experimentam forte verticalização, vastas áreas do estado, especialmente no norte e nos vales, permanecem praticamente intocadas por essa tendência. O fenômeno não é exclusivo de Minas. Estados das regiões Norte e Nordeste também possuem municípios sem prédios, mas a quantidade de 11 cidades em um único estado chama a atenção pelo volume e pela distribuição regional.
Em nível nacional, o Censo 2022 mostrou que o Brasil tem mais de 500 municípios com menos de 10% de domicílios em apartamentos. No entanto, a inexistência completa de prédios é um marcador mais raro, indicando um estágio muito inicial de urbanização. Esses municípios representam uma parcela do Brasil profundo, onde o modo de vida ainda é fortemente rural, mesmo nas sedes urbanas.
Vantagens e desvantagens da ausência de prédios
Morar em uma cidade sem prédios oferece uma qualidade de vida específica: menos trânsito, mais contato com a natureza, ruas mais seguras e um forte senso de comunidade. O custo de vida tende a ser mais baixo, e muitas famílias conseguem ter uma casa com quintal, o que é raro nas grandes cidades. Por outro lado, a falta de verticalização pode limitar o adensamento urbano, dificultando a otimização de infraestrutura como saneamento, transporte público e iluminação. Para os jovens locais, a ausência de um mercado diversificado de moradias pode ser um fator de atração ou repulsão, dependendo da oferta de empregos e serviços.
A horizontalidade também impõe desafios para a gestão pública: o espraiamento urbano (crescimento horizontal desordenado) encarece a instalação de redes de água, esgoto e coleta de lixo. Por outro lado, a baixa densidade populacional reduz a pressão sobre os equipamentos públicos, como escolas e postos de saúde, que podem atender a demanda com mais tranquilidade.
E o futuro?
O levantamento do Estado de Minas abre uma janela para o futuro desses municípios. Com o crescimento populacional e eventuais mudanças na dinâmica econômica (como a chegada de novos empreendimentos ou a melhoria de estradas), algumas dessas cidades podem atrair investimentos imobiliários que resultem na construção dos primeiros prédios. No entanto, para a maioria delas, a tendência é que a paisagem horizontal prevaleça por muitas décadas, a menos que haja uma transformação estrutural em suas economias. Enquanto isso, esses 11 municípios seguem como exemplos vivos de um Brasil que ainda resiste à verticalização.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual a fonte dos dados?
Os dados são do Censo Demográfico 2022 do IBGE, compilados e analisados pelo jornal Estado de Minas em reportagem publicada em fevereiro de 2024.
O que o IBGE considera um "prédio residencial"?
O IBGE classifica como "domicílio particular permanente em prédio" as unidades construídas em edificações de múltiplos andares, geralmente apartamentos. A classificação exclui casas geminadas e sobrados.
Onde posso ver a lista completa das 11 cidades?
A lista completa com o nome de todos os municípios foi publicada na reportagem original do Estado de Minas, disponível no site do jornal. O autor deste resumo recomenda a consulta direta à fonte para conhecer os nomes e detalhes de cada localidade.
Isso pode mudar no futuro?
Sim. Com o crescimento populacional e eventuais mudanças na dinâmica econômica, algumas dessas cidades podem atrair investimentos imobiliários que resultem na construção dos primeiros prédios. No entanto, a ausência de verticalização não é necessariamente um problema – é uma característica que reflete o estágio de desenvolvimento local.
A ausência de prédios é um problema?
Não necessariamente. Muitas dessas cidades oferecem alta qualidade de vida, longe dos problemas típicos dos grandes centros urbanos, como violência, trânsito intenso e poluição. A falta de edifícios pode ser um indicador de baixa densidade populacional e de uma economia menos dinâmica, mas para quem busca tranquilidade, pode ser um atrativo.
Quantas cidades em Minas Gerais têm apartamentos?
De acordo com o Censo 2022, a grande maioria dos 853 municípios mineiros possui ao menos alguns apartamentos. As 11 cidades destacadas representam uma pequena minoria, mas o dado serve para ilustrar a diversidade urbana do estado.
Fonte: Estado de Minas