O estado do Rio de Janeiro já registra seis mortes por dengue confirmadas em 2024, segundo a Secretaria de Estado de Saúde. O número acende um alerta para a população e as autoridades, que intensificam ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. O cenário fluminense reflete o avanço da epidemia no Brasil, que já contabiliza centenas de milhares de casos prováveis em todo o país neste ano, com a circulação simultânea de mais de um sorotipo do vírus aumentando o risco de formas graves. As autoridades de saúde do estado reforçam a importância da notificação precoce e do acesso rápido aos serviços de saúde para evitar que novos casos evoluam para óbito.

Situação no Rio de Janeiro

Até o final de fevereiro, foram confirmados 6 óbitos pela doença no estado. Diversos municípios fluminenses apresentam alta incidência de casos, com destaque para a capital e região metropolitana. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) monitora constantemente os índices de infestação predial e a incidência de casos. A população deve estar atenta aos mutirões de limpeza urbana e permitir a entrada dos agentes de endemias em suas residências para vistoria e tratamento focal. A dengue é uma doença sazonal, e o verão, com chuvas frequentes e temperaturas elevadas, favorece a proliferação rápida do mosquito.

Sintomas da dengue

Os principais sintomas incluem febre alta (acima de 38°C) de início súbito, dor de cabeça intensa, dor retro-orbital (atrás dos olhos), dores musculares e articulares (mialgia e artralgia), prostração, náuseas, vômitos e exantema (manchas vermelhas na pele). A doença evolui em três fases: febril, crítica e de recuperação. Sinais de alarme que indicam progressão para gravidade surgem geralmente entre o 3º e o 7º dia da doença, quando a febre começa a ceder: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acumulação de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia, aumento progressivo do hematócrito e queda abrupta de plaquetas. A identificação precoce desses sinais pela equipe de saúde e pelo paciente é crucial para evitar óbitos. O mosquito Aedes aegypti também é vetor da zika e chikungunya, que têm sintomas parecidos, mas com particularidades como conjuntivite na zika e dores articulares intensas e prolongadas na chikungunya.

Prevenção

A melhor forma de prevenção é eliminar os focos de água parada, onde o mosquito deposita seus ovos. Como o ovo do Aedes pode resistir por até um ano em ambiente seco, a limpeza deve ser feita com escova e sabão nas bordas dos recipientes para remover os ovos aderidos. Medidas eficazes incluem tampar caixas d'água, tratar piscinas com cloro, manter calhas desobstruídas, furar pneus, guardar garrafas viradas para baixo, limpar bandejas de ar-condicionado e vasos de plantas, usar telas em janelas e repelentes à base de DEET, Icaridina ou IR3535. O Ministério da Saúde e as secretarias estaduais promovem campanhas de conscientização, distribuição de inseticida e visitas de agentes de endemias, mas a colaboração da população é essencial para reduzir a incidência. O fumacê (ULV) é usado em áreas de transmissão intensa, mas não substitui a eliminação dos criadouros.

Tratamento

Não existe antiviral específico para a dengue. O manejo clínico, padronizado pelo Ministério da Saúde, é baseado em hidratação oral (soro caseiro ou solução de reidratação oral) e intravenosa nos casos moderados e graves, além de repouso absoluto. Medicamentos contraindicados: ácido acetilsalicílico (aspirina), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs como ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida) e corticoides, pois aumentam o risco de sangramento. O antitérmico de escolha é o paracetamol (acetaminofeno) ou dipirona. Em casos graves com extravasamento de plasma, choque ou sangramento importante, a hospitalização é necessária para reposição volêmica rigorosa e monitoramento intensivo. O diagnóstico precoce e o manejo clínico adequado reduzem drasticamente a letalidade da dengue. Em 2024, a vacina Qdenga (TAK-003) foi incorporada ao SUS para crianças e adolescentes de 6 a 16 anos em regiões endêmicas, com esquema de duas doses com intervalo de três meses.

Perguntas frequentes sobre a dengue no RJ

Quantas mortes por dengue foram confirmadas no RJ em 2024? Seis mortes foram confirmadas até fevereiro de 2024, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde. O número pode aumentar conforme a atualização dos dados epidemiológicos.

Quais os primeiros sintomas da dengue? Febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores no corpo e manchas vermelhas na pele são os sinais mais comuns. Ao perceber esses sintomas, procure imediatamente uma unidade de saúde para avaliação clínica e não tome medicamentos por conta própria, especialmente anti-inflamatórios.

Como prevenir a dengue? Eliminando água parada, usando repelente, telas em janelas e roupas que protejam o corpo. A conscientização de vizinhos e da comunidade também é importante para reduzir a infestação pelo mosquito.

A dengue tem vacina? Sim. A vacina Qdenga está disponível no SUS para crianças e adolescentes de 6 a 16 anos em áreas endêmicas. A vacina Dengvaxia também está disponível na rede privada, mas exige teste sorológico prévio para garantir que a pessoa já teve contato com o vírus. A prevenção com medidas ambientais continua indispensável para toda a população.

O que fazer se eu suspeitar que tenho dengue? Buscar atendimento médico imediatamente, hidratar-se bem e evitar automedicação. Fique atento aos sinais de alarme descritos acima e retorne ao serviço de saúde se os sintomas piorarem. O repouso e a hidratação são fundamentais durante toda a fase da doença.

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