A Prefeitura de São Paulo decretou situação de emergência em saúde pública nesta quarta-feira, 6 de março de 2024, devido ao aumento expressivo de casos de dengue na cidade. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município e permite à administração municipal adotar medidas administrativas e financeiras de forma mais ágil para conter a doença. A decisão ocorre em um momento em que várias regiões do Brasil enfrentam uma epidemia de dengue, com alta demanda por atendimento nos postos de saúde e hospitais.
Por que a emergência?
O município de São Paulo registra um aumento significativo de casos confirmados de dengue nos primeiros meses de 2024, ultrapassando os limites históricos para o período. A situação reflete o cenário nacional, que já contabiliza milhares de infecções em todo o Brasil. A declaração de emergência em saúde pública é uma ferramenta legal que visa agilizar processos de compra, contratação de pessoal e execução de ações de combate ao vetor Aedes aegypti. Com a emergência, a prefeitura pode atuar com mais rapidez sem as amarras burocráticas habituais.
O que muda com o decreto?
Com a emergência em saúde pública, a prefeitura pode dispensar licitações para aquisição de insumos e serviços essenciais, contratar profissionais temporários e mobilizar equipes de saúde de forma mais eficiente. Também fica autorizada a entrada em imóveis abandonados ou fechados para eliminação de focos do mosquito, com apoio da polícia se necessário. A medida tem validade inicial de 90 dias, podendo ser prorrogada. Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde pode requisitar bens e serviços de empresas privadas para reforçar o combate à doença.
Situação da dengue no Brasil em 2024
O Brasil enfrenta um surto de dengue de grandes proporções em 2024. O aumento de casos está associado à circulação simultânea de múltiplos sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), às altas temperaturas e às chuvas intensas que favorecem a proliferação do mosquito. Estados como Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo registram as maiores taxas de incidência. A situação levou vários municípios a decretarem emergência pública, e o governo federal intensificou a distribuição de insumos e vacinas.
Medidas de prevenção
A principal forma de prevenção é eliminar os criadouros do mosquito. Confira as recomendações detalhadas:
- Evite água parada: não deixe água acumular em vasos de plantas, pneus, garrafas, calhas, lajes e ralos. Mantenha as caixas d'água bem tampadas.
- Use repelentes: aplique repelente nas áreas expostas do corpo, principalmente durante o dia, quando o mosquito é mais ativo. Reaplique conforme as instruções do fabricante.
- Instale telas: coloque telas de malha fina em janelas e portas para impedir a entrada do mosquito.
- Use roupas adequadas: prefira calças e camisas de manga longa, especialmente em áreas com alta infestação.
- Apoie o poder público: permita a visita de agentes de saúde à sua residência e denuncie focos do mosquito por meio dos canais oficiais.
Sintomas da dengue
A dengue pode se manifestar com febre alta (39°C a 40°C) de início súbito, dores intensas no corpo, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, cansaço extremo e falta de apetite. Em alguns casos, podem ocorrer náuseas, vômitos e diarreia. Os sintomas geralmente aparecem de 4 a 10 dias após a picada do mosquito infectado.
É importante ficar atento aos sinais de alarme que indicam evolução para dengue grave: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, tontura ao levantar-se e diminuição da urina. Ao surgirem esses sinais, procure imediatamente o serviço de saúde mais próximo.
Tratamento e hidratação
Não existe tratamento antiviral específico para a dengue. O manejo clínico é baseado em hidratação oral abundante (água, soros caseiros, sucos e chás) e uso de medicamentos para alívio dos sintomas, como paracetamol e dipirona. É fundamental evitar anti-inflamatórios como ibuprofeno e aspirina, pois podem aumentar o risco de sangramento. Nos casos mais graves, a hidratação endovenosa e a internação hospitalar são necessárias.
A maioria dos pacientes se recupera em cerca de uma semana, mas o cansaço pode persistir por semanas. O acompanhamento médico é fundamental, especialmente nos primeiros dias após o fim da febre, período de maior risco de complicações.
Vacinação contra a dengue
A vacina contra a dengue (Qdenga) está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em regiões com alta incidência da doença. A imunização é aplicada em duas doses com intervalo de três meses. Estudos mostram que a vacina reduz significativamente os casos graves e as hospitalizações. A população deve verificar a disponibilidade nos postos de saúde municipais e manter o cartão de vacinação atualizado.
Além da vacina pública, a vacina também está disponível na rede privada para outras faixas etárias, mediante prescrição médica. A vacinação não substitui as medidas de prevenção individuais, pois não cobre todos os sorotipos com a mesma eficácia.
Perguntas frequentes sobre a dengue
1. A dengue tem cura?
Sim, a dengue tem cura. Não existe remédio específico, mas o tratamento com hidratação e medicamentos para alívio dos sintomas leva à recuperação completa na maioria dos casos.
2. Quanto tempo dura a doença?
Os sintomas agudos geralmente duram de 5 a 7 dias. O cansaço e a fraqueza podem persistir por várias semanas após a fase aguda, especialmente em adultos.
3. Dengue pode ser fatal?
Sim, os casos graves — principalmente a dengue hemorrágica (dengue grave) — podem levar à morte se não houver atendimento médico adequado e oportuno. A identificação precoce dos sinais de alarme salva vidas.
4. Como diferenciar dengue de COVID-19?
A dengue costuma causar febre alta, dores musculares intensas e dor atrás dos olhos, enquanto a COVID-19 apresenta com mais frequência sintomas respiratórios como tosse, falta de ar e perda de olfato. Testes laboratoriais (sorologia, RT-PCR) confirmam o diagnóstico.
5. Quem está mais sujeito a complicações?
Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas (como diabetes, hipertensão e asma) têm maior risco de desenvolver formas graves da dengue. Nessas populações, o monitoramento médico deve ser ainda mais rigoroso.
6. Posso pegar dengue mais de uma vez?
Sim. Uma pessoa pode ser infectada até quatro vezes, uma para cada sorotipo do vírus. A segunda infecção costuma ser mais grave do que a primeira, por isso a prevenção é essencial mesmo para quem já teve dengue.