Um áudio vazado no início de março de 2024 revelou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmando ter dado um ultimato ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em meio à escalada do conflito na Faixa de Gaza. A gravação, obtida por veículos de imprensa internacionais, expõe as crescentes tensões entre os dois líderes e levanta questões sobre o futuro da aliança estratégica entre Washington e Tel Aviv.
De acordo com a gravação, Biden teria dito a doadores do Partido Democrata que deixou claro a Netanyahu que os Estados Unidos não apoiariam determinadas operações militares sem garantias específicas de proteção a civis e aumento significativo da ajuda humanitária em Gaza. "Eu disse a Bibi, e não estou brincando: chega. Vocês não podem continuar com essa abordagem", teria afirmado o presidente americano, segundo fontes que tiveram acesso ao áudio.
As declarações reforçam o distanciamento público entre Biden e Netanyahu, que já vinha sendo observado nos meses anteriores. Desde o início da guerra em outubro de 2023, o governo americano tem pressionado Israel a adotar medidas concretas para reduzir as baixas civis e permitir a entrada de mais ajuda humanitária no território palestino. O ultimato mencionado por Biden representa um endurecimento do tom em relação ao aliado israelense.
O gabinete do primeiro-ministro israelense não confirmou nem negou diretamente o conteúdo do áudio. Fontes diplomáticas indicaram que Netanyahu tem buscado equilibrar as demandas dos EUA com a pressão interna de sua coalizão de governo, que defende uma postura mais dura em relação ao Hamas. A situação coloca Israel em uma posição delicada, pois depende do apoio militar e diplomático americano tanto no Conselho de Segurança da ONU quanto no fornecimento de armamentos.
O vazamento gerou repercussão imediata nos círculos políticos de Washington e Tel Aviv. Analistas apontam que a revelação pública das tensões privadas entre os dois líderes pode complicar ainda mais as negociações em andamento para um cessar-fogo e a libertação de reféns mantidos pelo Hamas. A comunidade internacional observa com atenção os desdobramentos, especialmente em um ano eleitoral nos Estados Unidos.
Especialistas em relações internacionais destacam que o ultimato de Biden reflete uma mudança gradual na postura dos EUA, que passaram de um apoio incondicional a Israel para uma posição mais crítica à medida que a crise humanitária em Gaza se agrava. No entanto, os EUA continuam sendo o principal aliado de Israel na região e mantêm o fornecimento de sistemas de defesa e inteligência. A Casa Branca não comentou oficialmente o áudio vazado, mas fontes internas confirmaram a autenticidade da gravação.
A oposição israelense também reagiu ao vazamento. Líderes da oposição criticaram Netanyahu pelo que chamaram de "gestão desastrosa" das relações com os Estados Unidos. "Israel nunca esteve tão isolado diplomaticamente", afirmou um parlamentar israelense sob condição de anonimato. Enquanto isso, apoiadores do primeiro-ministro argumentam que Netanyahu age no interesse estratégico de Israel e que as pressões externas não devem ditar a política de segurança do país.
O episódio acendeu um debate sobre os limites da aliança entre Israel e Estados Unidos. Para analistas, o vazamento expõe um momento de ruptura na relação que vai além de diferenças pontuais e reflete visões distintas sobre o futuro do processo de paz e a solução de dois Estados. Enquanto Biden defende uma saída negociada com a criação de um Estado palestino, Netanyahu tem se mostrado cada vez mais resistente a essa perspectiva.
Contexto das tensões entre EUA e Israel
As relações entre Joe Biden e Benjamin Netanyahu já apresentavam sinais de desgaste muito antes do vazamento. Desde que assumiu a presidência, Biden buscou retomar o acordo nuclear com o Irã e adotou uma postura mais crítica à expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia, medidas que Netanyahu vê com desconfiança. A guerra em Gaza, iniciada após os ataques do Hamas em outubro de 2023, aprofundou as divergências. Enquanto o governo israelense defendia uma ofensiva terrestre de grande escala para eliminar o grupo militante, a Casa Branca insistia em operações cirúrgicas e na priorização da proteção de civis. O áudio vazado torna públicas essas divergências e sugere que Biden estaria disposto a impor condições mais duras ao aliado histórico.
Além disso, a pressão da opinião pública americana e de setores progressistas do Partido Democrata tem aumentado. Pesquisas indicam que uma parcela significativa dos eleitores democratas desaprova a condução da guerra por Israel e quer que os EUA usem sua influência para forçar um cessar-fogo imediato. O áudio pode ser interpretado como uma tentativa de Biden de mostrar a esses eleitores que está agindo com firmeza, ao mesmo tempo que busca preservar a aliança estratégica com Israel.
Os principais pontos do áudio vazado
Com base nas informações divulgadas pelos veículos que tiveram acesso à gravação, é possível destacar os seguintes pontos centrais:
- Tom direto e ultimato: Biden teria usado uma linguagem incomumente dura com Netanyahu, afirmando que "chega" e que Israel não poderia "continuar com essa abordagem". O presidente americano teria estabelecido condições claras para o apoio dos EUA a operações militares futuras.
- Condicionamento do apoio militar: O governo americano passaria a exigir garantias escritas de que Israel adotaria medidas específicas para evitar baixas civis e permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza. Sem essas garantias, os EUA poderiam vetar ou suspender o fornecimento de certos armamentos e o apoio diplomático em fóruns internacionais.
- Menção à pressão doméstica: No áudio, Biden teria mencionado a pressão que sofre de aliados progressistas e de parlamentares democratas para adotar uma postura mais firme em relação a Israel. O presidente americano teria dito que "não pode mais ignorar" os apelos por uma mudança de política.
- Contexto da conversa: A gravação foi feita durante um evento com doadores do Partido Democrata, em um ambiente que Biden considerava privado. O vazamento ocorreu semanas após o presidente ter se encontrado pessoalmente com Netanyahu para discutir os rumos da guerra.
Reações internacionais e implicações diplomáticas
O vazamento provocou reações em diversas capitais. Países árabes, como Arábia Saudita e Egito, viram no episódio uma confirmação de que os EUA estariam dispostos a moderar a ação militar israelense. O governo palestino, por sua vez, pediu que Washington transforme as palavras em ações concretas, como a suspensão do veto a resoluções do Conselho de Segurança da ONU que pedem um cessar-fogo imediato.
Na Europa, líderes da União Europeia expressaram apoio à postura de Biden e pediram que Israel respeite o direito internacional humanitário. O primeiro-ministro do Reino Unido, em declaração cautelosa, disse que "todos os aliados devem ouvir as preocupações legítimas sobre a proteção de civis". Já Rússia e China criticaram os EUA por não terem agido antes e usaram o vazamento para questionar a credibilidade da mediação americana no Oriente Médio.
Perguntas frequentes sobre o áudio vazado
O áudio foi divulgado oficialmente pela Casa Branca?
Não. A Casa Branca não comentou oficialmente o conteúdo da gravação, mas fontes internas confirmaram a autenticidade do áudio a veículos como o Internacional Estadão. O governo americano não divulgou a íntegra nem informou se pretende investigar o vazamento.
Netanyahu respondeu diretamente a Biden?
O gabinete do primeiro-ministro israelense não emitiu uma resposta direta ao conteúdo do áudio. Por meio de porta-vozes, Netanyahu reiterou que Israel tem o direito de se defender e que as decisões militares são tomadas com base na segurança do país. Aliados do premiê, no entanto, criticaram o que chamaram de "intromissão" dos EUA em assuntos internos de Israel.
Esse vazamento pode afetar as negociações de cessar-fogo?
Sim. Analistas apontam que a revelação pública das tensões entre os dois líderes pode endurecer a posição do Hamas nas negociações, que passaria a acreditar que Israel está isolado diplomaticamente. Por outro lado, a pressão de Biden pode forçar Netanyahu a fazer concessões para garantir o apoio americano. O impacto imediato é incerto, mas o vazamento certamente adiciona mais complexidade a um processo já frágil.
O áudio pode ter consequências políticas para Biden nos EUA?
Possivelmente. Os republicanos já criticaram Biden por "enfraquecer a aliança com Israel", enquanto parte da base democrata elogiou a postura firme. Em um ano eleitoral, Biden tenta equilibrar o apoio tradicional a Israel com as demandas de setores progressistas. O vazamento pode reforçar a imagem de um presidente disposto a desafiar Netanyahu, o que agrada parte do eleitorado, mas também pode afastar eleitores moderados e doadores judeus.