O governo de Israel aprovou planos militares detalhados para uma ofensiva em Rafah, cidade no extremo sul da Faixa de Gaza que se tornou o principal refúgio para mais de 1,3 milhão de palestinos deslocados pelo conflito com o Hamas. A decisão foi anunciada pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu neste domingo (17 de março de 2024), intensificando a pressão internacional sobre o governo israelense.
O plano militar para Rafah
De acordo com autoridades israelenses, os planos aprovados incluem a preparação para a evacuação da população civil antes do avanço das tropas. O governo Netanyahu afirma que a operação é considerada essencial para eliminar os batalhões do Hamas que ainda operam na região. O primeiro-ministro tem reiterado que a vitória sobre o grupo passa pelo controle de Rafah, descrita como o último reduto significativo do Hamas em Gaza. O plano prevê uma operação terrestre com apoio aéreo, focada em áreas identificadas como bases operacionais do grupo. Israel afirma que a operação não pode ser evitada se o objetivo declarado de desmantelar o Hamas for alcançado.
A crise humanitária em números
Rafah, que antes da guerra tinha aproximadamente 280 mil habitantes, viu sua população inflar para mais de 1,3 milhão de pessoas, segundo a UNRWA, a agência da ONU para os refugiados palestinos. A maioria vive em abrigos improvisados, tendas e edifícios superlotados, com acesso severamente limitado a água potável, alimentos, serviços de saúde e saneamento básico. Hospitais e unidades de saúde operam muito acima de sua capacidade, com falta de medicamentos, equipamentos e combustível para geradores. Organizações humanitárias alertam que uma ofensiva em larga escala na cidade resultaria em um número elevado de vítimas civis e agravaria ainda mais a crise humanitária já catastrófica. A falta de rotas de fuga seguras é uma das principais preocupações, já que a fronteira com o Egito permanece fechada e o restante de Gaza continua sob intensos bombardeios. A OMS classificou a situação como além de crítica.
Preparativos humanitários
Israel afirmou estar desenvolvendo planos para evacuar a população civil de Rafah antes do início da operação militar. No entanto, organizações internacionais questionam a viabilidade de uma evacuação em grande escala, dado o número de pessoas envolvidas e a falta de áreas seguras para onde os civis possam ser deslocados. O governo israelense indicou que está coordenando com organizações internacionais a criação de zonas humanitárias temporárias, mas os detalhes permanecem vagos. A comunidade humanitária alerta que uma operação em Rafah poderia levar a uma catástrofe de proporções ainda maiores do que as já observadas em outras áreas de Gaza.
Reações da comunidade internacional
A comunidade internacional reagiu com forte preocupação à confirmação dos planos israelenses. Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, manifestaram oposição a uma operação terrestre em Rafah sem um plano crível e implementável para proteger os civis. O presidente Joe Biden e seus assessores têm pressionado Israel a apresentar garantias de segurança para a população civil, com a Casa Branca afirmando que não apoiaria uma operação que não levasse em conta a segurança dos refugiados.
A União Europeia pediu contenção e alertou para as consequências humanitárias de uma ofensiva em uma área tão densamente povoada. O Egito, que faz fronteira com Rafah, expressou preocupação com um possível deslocamento forçado de palestinos para seu território, o que considera uma linha vermelha. A Liga Árabe e diversos países de maioria muçulmana também condenaram os planos israelenses. O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo urgente para que todas as partes protejam os civis e permitam o acesso humanitário irrestrito a Gaza. "Uma operação em Rafah seria uma catástrofe humanitária", afirmou Guterres, pedindo que prevaleça a diplomacia.
Negociações e contexto regional
A autorização dos planos militares ocorre em paralelo a intensas negociações mediadas por Catar, Egito e Estados Unidos para um cessar-fogo e a libertação dos reféns mantidos pelo Hamas. O grupo apresentou suas condições para um acordo, que incluem a retirada das forças israelenses de Gaza e o aumento da entrada de ajuda humanitária. Israel afirma que continuará as operações militares até alcançar todos os seus objetivos, mas sinalizou disposição para negociar uma trégua temporária em troca da libertação de reféns. As conversas continuam sem um avanço definitivo.
Uma operação em Rafah também teria implicações regionais significativas. A cidade está localizada na fronteira com o Egito, e qualquer deslocamento de palestinos em direção à fronteira preocupa o governo egípcio, que já reforçou a segurança na região. A Jordânia também expressou preocupação com a possibilidade de desestabilização regional. O governo israelense, por sua vez, afirma que está comprometido em minimizar danos civis e que continuará fornecendo informações sobre rotas de evacuação seguras.
Pontos-chave
- Israel aprovou planos militares para uma ofensiva em Rafah
- Mais de 1,3 milhão de deslocados estão abrigados na cidade
- EUA, UE e ONU pressionam contra operação sem proteção a civis
- Negociações por cessar-fogo continuam mediadas por Catar e Egito
- Egito alerta para deslocamento forçado de palestinos
Perguntas frequentes
Por que Israel quer atacar Rafah?
O governo israelense afirma que Rafah concentra os últimos batalhões organizados do Hamas em Gaza e que a operação é necessária para cumprir o objetivo declarado de eliminar a capacidade militar e governamental do grupo.
Quantas pessoas estão em Rafah?
Estima-se que mais de 1,3 milhão de pessoas estejam atualmente em Rafah, a maioria deslocada de outras regiões de Gaza durante os meses de conflito. A cidade originalmente tinha cerca de 280 mil habitantes.
Qual a posição da comunidade internacional?
Estados Unidos, União Europeia, Nações Unidas e diversos países árabes pedem que Israel não realize a ofensiva sem um plano detalhado de proteção aos civis. O Egito alerta para o risco de deslocamento forçado da população palestina para seu território.