O primeiro dia das eleições presidenciais na Rússia, em 15 de março de 2024, foi marcado por uma série de incidentes em todo o país. De acordo com reportagens do G1 e de agências internacionais como a Reuters e a Associated Press, eleitores recorreram a métodos extremos de protesto para demonstrar rejeição ao governo de Vladimir Putin. Coquetéis molotov, derramamento de tinta em urnas e tentativas de incêndio em seções eleitorais foram os principais atos registrados.
Coquetéis molotov e ataques a seções eleitorais
Em várias cidades russas, incluindo na região de Moscou e na Sibéria, pessoas foram detidas após tentarem incendiar seções eleitorais com coquetéis molotov. Vídeos de câmeras de segurança que circularam nas redes sociais mostram indivíduos arremessando os artefatos contra portas e janelas de locais de votação. Em um dos casos, o fogo se alastrou rapidamente pela fachada do prédio, mas foi controlado por equipes de emergência sem deixar feridos. As autoridades russas classificaram os atos como "terrorismo" e abriram investigações criminais contra os suspeitos, que podem pegar penas severas. A mídia estatal russa minimizou os incidentes, afirmando que a votação transcorreu dentro da normalidade na maior parte do país.
Tinta nas urnas e o protesto "Meio-dia contra Putin"
Um dos métodos de protesto mais disseminados foi o despejo de tinta (geralmente um corante verde à base de anilina ou permanganato de potássio) dentro das urnas eletrônicas. Dezenas de pessoas foram filmadas entrando em seções eleitorais, caminhando rapidamente até as urnas e despejando o líquido. A ação, coordenada por grupos de oposição ligados ao falecido Alexei Navalny, tinha como objetivo anular milhares de votos, já que o líquido danifica irremediavelmente as cédulas de papel. O protesto, intitulado "Meio-dia contra Putin", convocava os eleitores a comparecerem às urnas ao meio-dia, horário local, para demonstrar sua insatisfação de forma coordenada e não violenta. As autoridades alertaram que os responsáveis poderiam pegar até 5 anos de prisão.
Incêndios em cabines de votação
Além dos coquetéis molotov e da tinta, houve registros de pessoas ateando fogo diretamente em cabines de votação com isqueiros e sprays inflamáveis, como spray de cabelo ou álcool em gel. As imagens, rapidamente compartilhadas em canais do Telegram e no Twitter/X, mostram as chamas sendo acesas e rapidamente contidas por seguranças ou pelos próprios bombeiros que estavam de prontidão. As autoridades relataram dezenas de prisões ao longo do primeiro dia de votação, e muitas pessoas foram condenadas a multas pesadas ou penas de prisão de curta duração. A oposição exilada comemorou os atos como uma demonstração de resistência ao regime.
Destaques do primeiro dia de eleições
- Coquetéis molotov: Pelo menos três seções eleitorais foram alvos de ataques com coquetéis molotov em diferentes regiões da Rússia.
- Tinta nas urnas: Relatos oficiais indicam que dezenas de urnas foram danificadas por corantes, em um protesto orquestrado por opositores de Putin.
- Incêndios: Cabines de votação foram incendiadas em cidades como Moscou e São Petersburgo, mas as chamas foram rapidamente controladas.
- Prisões: A polícia russa prendeu dezenas de suspeitos de participação nos atos de vandalismo e sabotagem eleitoral.
O contexto político por trás das manifestações
As eleições presidenciais russas de 2024 acontecem em um contexto de forte repressão política e censura nos meios de comunicação. Vladimir Putin, no poder há mais de duas décadas, buscava a reeleição para um novo mandato de seis anos, enfrentando candidatos declaradamente favoráveis ao Kremlin e sem chance real de vitória. A invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, também foi um tema central. O governo utilizou o conflito para reforçar o discurso nacionalista e justificar a necessidade de um líder forte e experiente. Para muitos analistas, os protestos do primeiro dia, embora localizados, simbolizam uma insatisfação crescente com a falta de liberdade política e o custo econômico da guerra.
Reação do Kremlin e da comunidade internacional
O governo russo condenou veementemente os atos de vandalismo e sabotagem. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os incidentes foram isolados e não afetariam a legitimidade do processo eleitoral. "Os responsáveis serão punidos com todo o rigor da lei", declarou. A Comissão Eleitoral Central Russa informou que as urnas danificadas foram substituídas e que a votação continuou normalmente. A comunidade internacional, por sua vez, observou a eleição com ceticismo e críticas. A União Europeia e os Estados Unidos já haviam declarado que não reconheceriam o resultado como legítimo, citando a falta de liberdade e de opções reais para os eleitores russos. A Organização das Nações Unidas (ONU) expressou preocupação com as prisões e a repressão aos protestos.
Fonte: Com informações do G1, Reuters, Associated Press e agências internacionais.