O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta vermelho de "grande perigo" para uma onda de calor que atinge os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. As temperaturas devem ficar pelo menos 5°C acima da média por um período superior a cinco dias, configurando um evento climático extremo que exige atenção redobrada da população.

De acordo com o Inmet, uma onda de calor é caracterizada por uma sequência de dias com temperaturas muito acima da média histórica para a região. No Brasil, este fenômeno tem se tornado mais frequente e intenso, especialmente durante os meses de primavera e verão, mas também pode ocorrer fora de época, como neste mês de março de 2024.

O alerta abrange principalmente o centro-sul do país. No estado de São Paulo, as regiões do noroeste, leste e oeste, incluindo a capital e a Grande São Paulo, estão sob aviso. No Mato Grosso do Sul, praticamente todo o estado deve registrar temperaturas elevadíssimas. Já no Paraná, o alerta se concentra no norte, oeste e nos campos gerais. A população dessas áreas deve se preparar para dias de calor intenso e abafado.

A previsão indica que as temperaturas máximas podem ultrapassar os 40°C em diversas cidades, com sensação térmica ainda maior devido à alta umidade relativa do ar. O pico da onda de calor está previsto para o meio da semana, com alívio temporário esperado apenas para o fim de semana, quando a aproximação de uma frente fria pode trazer chuvas e queda nas temperaturas.

A exposição prolongada ao calor extremo pode causar sérios problemas de saúde, como desidratação, insolação e o temido golpe de calor (hipertermia). Os sintomas incluem tontura, náusea, pele seca e quente, confusão mental e desmaio. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas são os grupos mais vulneráveis. É vital reconhecer os sinais precocemente e buscar ajuda médica em casos graves.

As autoridades de saúde recomendam aumentar a ingestão de água, mesmo sem sede, evitar a exposição direta ao sol nos horários mais quentes (entre 10h e 16h), usar roupas leves e claras, e manter os ambientes arejados. A prática de atividades físicas pesadas deve ser evitada. O uso de protetor solar é fundamental, mesmo em dias nublados. Alimentação leve, à base de frutas, verduras e legumes, também ajuda a suportar melhor o calor.

Além da saúde, a onda de calor pode impactar outros setores. O consumo de energia elétrica tende a disparar com o uso intensivo de ar-condicionado e ventiladores, sobrecarregando o sistema. Na agricultura, as lavouras podem sofrer com o estresse térmico e a falta de chuvas. O risco de incêndios florestais também aumenta significativamente em regiões de vegetação seca, exigindo atenção das autoridades ambientais.

Especialistas apontam que eventos de calor extremo como este estão se tornando mais comuns e intensos devido às mudanças climáticas globais. A combinação de desmatamento, urbanização desordenada e emissão de gases de efeito estufa contribui para o aumento das temperaturas médias do planeta, tornando ondas de calor como esta um alerta para a necessidade de políticas de mitigação e adaptação.

Um dos grandes desconfortos de uma onda de calor é a dificuldade para dormir. As temperaturas elevadas durante a noite impedem que o corpo resfrie adequadamente, prejudicando o sono reparador. Para melhorar o conforto, recomenda-se tomar um banho morno antes de deitar, utilizar roupas de cama leves e, se possível, manter um ventilador ou ar-condicionado ligado em temperatura amena (23-24°C).

É importante que a sociedade como um todo se mobilize durante eventos climáticos extremos. Idosos que moram sozinhos, moradores de rua e famílias de baixa renda que não têm acesso a ventiladores ou ar-condicionado são os que mais sofrem. Vizinhos e familiares devem ficar atentos e oferecer ajuda, como oferecer água fresca ou um local mais arejado para passar as horas mais quentes do dia. As prefeituras costumam abrir centros de acolhimento climatizados em situações de alerta máximo.

O Brasil tem registrado ondas de calor cada vez mais intensas. O ano de 2023, por exemplo, foi marcado por recordes de temperatura em várias capitais, influenciados pelo fenômeno El Niño. Esta nova onda de calor em março de 2024 reforça a tendência de eventos climáticos extremos mais frequentes, exigindo que a população e o poder público se adaptem a uma nova realidade climática.