Rogério da Silva Mendonça, um dos dois detentos que escaparam da Penitenciária Federal de Mossoró em fevereiro de 2024, foi recapturado e prestou depoimento às autoridades. De acordo com apuração feita pelo UOL Confere, o fugitivo optou por silenciar sobre o financiamento da fuga, considerada a primeira da história do sistema penitenciário federal brasileiro. Em contrapartida, Mendonça alegou ter sofrido agressões físicas durante o processo de recaptura.
A fuga de Rogério Mendonça e Deibson Cabral Nascimento gerou uma mobilização massiva das forças de segurança e expôs fragilidades na segurança das penitenciárias federais. O caso segue sob investigação da Polícia Federal e de corregedorias internas.
A fuga histórica de Mossoró
Em 14 de fevereiro de 2024, os dois detentos escaparam da unidade de segurança máxima localizada em Mossoró, no Rio Grande do Norte. A ação, considerada inédita no sistema penitenciário federal, envolvendo o uso de serras e outros equipamentos para cortar grades e acessar áreas externas. As investigações apontam que a fuga contou com o apoio de uma organização criminosa e possivelmente com a conivência de agentes penitenciários.
Durante semanas, as buscas se concentraram na região do Semiárido nordestino, com apoio de helicópteros, drones e cerca de 600 agentes. A população local foi orientada a manter distância e as autoridades ofereceram recompensa por informações que levassem à captura dos foragidos.
O silêncio sobre o financiamento
Rogério da Silva Mendonça foi recapturado em abril de 2024, em uma operação conjunta das forças de segurança. Durante seu depoimento, ele se recusou a revelar detalhes cruciais sobre a origem dos recursos que financiaram a fuga. As autoridades querem saber quem forneceu os equipamentos de corte, como os criminosos obtiveram informações sobre a rotina da prisão e quem os aguardava do lado de fora.
Este silêncio é visto como um grande obstáculo para a conclusão das investigações. A Polícia Federal acredita que desvendar a rede de financiamento é essencial para evitar novas tentativas de fuga em outras unidades federais. A defesa de Rogério Mendonça não comentou oficialmente as declarações do cliente sobre o financiamento.
As alegações de agressão
Em seus depoimentos, o fugitivo recapturado afirmou ter sido agredido por agentes durante a operação que culminou em sua recaptura. Ele não entrou em detalhes específicos sobre os agressores ou as circunstâncias, mas a defesa sinalizou que pretende formalizar uma denúncia contra o Estado brasileiro.
As forças de segurança envolvidas na recaptura negam veementemente as acusações e afirmam que todos os protocolos legais foram seguidos. A corregedoria dos órgãos responsáveis instaurou um procedimento interno para apurar a veracidade das alegações de agressão. O caso reacende o debate sobre os métodos de atuação das forças policiais no país.
Investigações e o segundo fugitivo
Enquanto Rogério Mendonça está de volta ao sistema penitenciário federal, Deibson Cabral Nascimento permanece foragido. A Polícia Federal continua as buscas, mas admite que a captura pode levar mais tempo devido à vasta área de mata e ao possível apoio logístico recebido por ele.
Paralelamente, as investigações internas na penitenciária avançam. Agentes penitenciários que estavam de plantão no dia da fuga foram afastados e são investigados por suspeita de participação ou omissão. O governo federal anunciou uma revisão dos protocolos de segurança em todas as penitenciárias federais do país para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.
Perguntas e respostas sobre o caso
Quem são os fugitivos de Mossoró?
Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento. Ambos são condenados por homicídio, roubo e integração a organização criminosa, cumprindo penas severas na Penitenciária Federal de Mossoró.
Como foi possível a fuga?
Segundo a investigação, os detentos utilizaram serras para cortar grades da cela e de áreas comuns, além de contarem com a colaboração de pessoas de dentro e de fora da unidade prisional. Foi a primeira fuga registrada em uma penitenciária federal de segurança máxima no Brasil.
O que Rogério Mendonça disse em depoimento?
Ele optou por não revelar a origem do financiamento e dos equipamentos usados na fuga. No entanto, alegou ter sofrido agressões por parte das forças de segurança durante a recaptura.
O segundo fugitivo já foi recapturado?
Até o momento da publicação deste resumo, Deibson Cabral Nascimento continua foragido. A Polícia Federal mantém equipes dedicadas exclusivamente à sua localização.