Agrishow 2024, realizada em Ribeirão Preto (SP), é uma das maiores feiras de tecnologia agrícola da América Latina e, neste ano, evidenciou ainda mais a força feminina no campo. A presença de mulheres no evento se reflete em produtos, serviços e até mesmo na cor de um trator: o modelo rosa, lançado para celebrar e atrair o público feminino, tornou-se um símbolo da transformação do setor.

Pela primeira vez, a Associação dos Fabricantes de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) — organizadora da Agrishow — é presidida por uma mulher. O dado reflete uma mudança mais ampla: as mulheres vêm ganhando espaço tanto na indústria de máquinas quanto nas atividades rurais, impulsionando uma nova dinâmica no agronegócio brasileiro.

Agrishow 2024: vitrine da força feminina

Durante os cinco dias de feira, diversos estandes dedicados ao público feminino chamaram a atenção. O “trator rosa”, exposto por uma das fabricantes, não é apenas um item de marketing: representa a tentativa do setor de se aproximar das mulheres, que hoje respondem por uma parcela significativa das decisões de compra no campo. Além disso, a programação incluiu palestras sobre empreendedorismo feminino, acesso a crédito e liderança rural, com auditórios lotados.

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) indica que cerca de 30% das propriedades rurais do país são administradas ou têm participação ativa de mulheres. Na Agrishow, essa realidade fica visível: cada vez mais mulheres marcam presença como expositoras, compradoras e técnicas especializadas.

Mulheres na indústria de máquinas agrícolas

O levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) aponta que as mulheres já representam 30% da força de trabalho na produção de máquinas e implementos agrícolas. O número é superior à média da indústria metalmecânica e mostra um avanço consistente nos últimos anos.

Empresas como John Deere e Massey Ferguson têm estruturado programas de inclusão feminina, com metas de contratação e desenvolvimento de lideranças. A John Deere, por exemplo, mantém o programa “Mulheres no Campo”, que oferece capacitação técnica e gerencial para agricultoras. Já a Massey Ferguson promove anualmente o “Desafio Mulheres no Agro”, incentivando a participação feminina em todas as etapas da cadeia produtiva.

O papel da Embrapa na pesquisa agropecuária

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é referência mundial em inovação no campo e conta com centenas de pesquisadoras em seus quadros. Na Agrishow 2024, a estatal apresentou tecnologias desenvolvidas por equipes majoritariamente femininas, como cultivares mais resistentes e sistemas de irrigação inteligente.

A presença de mulheres na pesquisa agropecuária contribui para uma abordagem mais diversa na solução de problemas do campo, desde a agricultura familiar até a grande escala. Programas como “Embrapa Mulher” estimulam a participação feminina em projetos de ciência e tecnologia, gerando impacto direto na produtividade e na sustentabilidade.

Iniciativas de inclusão e capacitação

Além das grandes empresas, associações de mulheres agricultoras e cooperativas têm desempenhado papel fundamental na capacitação técnica e no acesso a linhas de crédito específicas. O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Mulher, por exemplo, oferece condições especiais para financiamento de projetos liderados por mulheres.

Na Agrishow, o espaço “Fórum das Mulheres no Agro” reuniu lideranças de todo o país para discutir políticas públicas, networking e troca de experiências. A conclusão geral é que o conhecimento técnico aliado à determinação feminina está transformando a realidade do campo brasileiro.

Principais pontos sobre o aumento de mulheres no campo

  • Participação feminina na agropecuária brasileira cresceu mais de 20% na última década, segundo dados do Censo Agropecuário.
  • Mulheres já ocupam 30% dos postos de trabalho na indústria de máquinas agrícolas, com tendência de alta.
  • Programas como “Mulheres no Campo” (John Deere) e “Desafio Mulheres no Agro” (Massey Ferguson) ampliam a capacitação.
  • A Embrapa possui uma das maiores proporções de pesquisadoras entre as instituições de pesquisa do país.
  • O acesso ao crédito rural por mulheres aumentou 15% nos últimos cinco anos, impulsionado por políticas específicas.
  • Ainda existem desafios como preconceito estrutural, diferença salarial e dificuldade de sucessão rural para mulheres.
  • A Agrishow funciona como termômetro da inclusão: a cada edição, mais espaços e produtos são direcionados ao público feminino.

Perguntas frequentes sobre mulheres no campo

Por que a presença feminina no campo está crescendo?

A combinação de políticas públicas de incentivo, programas de capacitação e a quebra de barreiras culturais tem permitido que mais mulheres assumam papéis de liderança e gestão no agronegócio. O acesso à informação e à tecnologia também contribui para que elas possam empreender e inovar no campo.

Quais são os principais desafios para as mulheres no agronegócio?

Ainda persistem obstáculos como o machismo estrutural, a dificuldade de acesso à terra e ao crédito, a dupla jornada de trabalho e a baixa representatividade em cargos de decisão. A falta de políticas de sucessão rural que considerem a herança feminina também é um ponto crítico.

O que a Agrishow tem feito para promover a inclusão feminina?

A Agrishow amplia ano a ano sua programação voltada para mulheres, com estandes dedicados, palestras, rodadas de negócios e a presença de lideranças femininas. A feira também abre espaço para lançamento de produtos e serviços criados por e para mulheres, como o trator rosa e linhas de maquinário adaptado.

Como a Embrapa contribui para a inserção de mulheres na pesquisa agropecuária?

A Embrapa mantém programas internos de incentivo à equidade de gênero, como o “Embrapa Mulher”, e valoriza a atuação de pesquisadoras em todas as áreas. As cientistas da estatal desenvolvem soluções que consideram a diversidade do campo, incluindo projetos voltados para a agricultura familiar e a sustentabilidade.

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