Uma série de imagens impressionantes capturadas por satélites, drones e fotógrafos locais registrou a erupção vulcânica que começou na península de Reykjanes, no sudoeste da Islândia, em 29 de maio de 2024. As fotografias revelam jatos de lava incandescente que chegam a dezenas de metros de altura, contrastando com o solo escuro de basalto. O fenômeno, o quarto episódio eruptivo na região desde 2021, atrai cientistas e curiosos do mundo inteiro. As imagens foram amplamente compartilhadas em redes sociais, gerando enorme interesse público e científico.

O contexto geológico da erupção

A Islândia está localizada sobre a dorsal mesoatlântica, uma cadeia de montanhas submarinas onde as placas tectônicas Eurasiática e Norte-Americana se afastam a uma taxa de cerca de 2,5 cm por ano. Esse movimento divergente permite que o magma do manto terrestre suba com facilidade, alimentando a intensa atividade vulcânica do país. A erupção de maio de 2024 ocorreu na área de Sundhnúksgígar, próxima ao Monte Litli-Hrútur, no sistema vulcânico de Fagradalsfjall. Esse sistema já havia apresentado erupções anteriores em 2021, 2022 e 2023, todas precedidas por enxames sísmicos com milhares de tremores. A lava expelida é do tipo basáltica, fluida, e sua temperatura ultrapassa os 1.000 °C. O avanço da lava criou novos campos de lava que já cobrem vários quilômetros quadrados, alterando permanentemente a paisagem local. Cientistas estimam que a espessura da lava acumulada pode chegar a dezenas de metros em algumas áreas.

Imagens que viralizaram

As imagens da erupção se espalharam rapidamente pelas redes sociais. Uma foto de satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) mostra a pluma de gases vulcânicos se estendendo por quilômetros sobre o Atlântico Norte, visível até de estações espaciais. Outro registro impressionante, feito por drone, mostra o rio de lava serpenteando entre colinas de musgo islandês, criando um contraste hipnotizante entre o vermelho incandescente e o cinza das rochas basálticas. Fotógrafos da Reuters e da Associated Press capturaram momentos em que a lava jorra de fissuras no solo, iluminando o céu noturno com um brilho alaranjado. As imagens renderam milhões de visualizações em plataformas como Instagram e X (antigo Twitter). Muitos usuários compararam as cenas ao início do mundo ou a filmes de ficção científica. A hashtag #IslandiaErupção chegou aos trending topics no Brasil.

Consequências para a região

Embora a erupção não represente uma ameaça direta a centros urbanos, a proximidade com a famosa Lagoa Azul (Blue Lagoon) e a cidade de Grindavík — localizada a apenas alguns quilômetros da fissura — levou à evacuação preventiva de turistas e moradores. As autoridades islandesas fecharam o acesso à área de risco devido à emissão de gases tóxicos, como dióxido de enxofre (SO₂), que pode causar problemas respiratórios e irritação ocular. O aeroporto internacional de Keflavík, principal porta de entrada para turistas, manteve suas operações normais, mas a aviação civil recebeu alertas para evitar a pluma de gases, que atingiu altitudes de até 3 km. Equipes do Escritório Meteorológico da Islândia (IMO) monitoram a qualidade do ar constantemente, medindo concentrações de gases e partículas em tempo real. Diferentemente da erupção do Eyjafjallajökull em 2010, a quantidade de cinzas emitidas é reduzida, não afetando a aviação europeia de forma significativa. Contudo, a poluição do ar nas proximidades exige que a população use máscaras e evite exposição prolongada. A erupção também levantou preocupações sobre a segurança de infraestruturas geotérmicas próximas, embora até o momento não haja relatos de danos.

Monitoramento e segurança

O monitoramento vulcânico na Islândia é um dos mais avançados do mundo. O IMO utiliza uma rede de sismógrafos, estações GPS que medem a deformação do solo, câmeras térmicas e sensores de gases para acompanhar cada etapa do processo eruptivo. Nos dias anteriores à erupção, milhares de pequenos terremotos foram registrados na península de Reykjanes, sinalizando que o magma estava subindo em direção à superfície. Esse tipo de dado permite prever com horas ou dias de antecedência o início de uma erupção. Durante a erupção atual, o fluxo de lava é estimado em centenas de metros cúbicos por segundo, alimentando rios de lava que avançam lentamente sobre o terreno. O tipo de erupção fissural, típica da região, é relativamente previsível e permite uma evacuação segura, se necessário. Autoridades islandesas mantêm sirenes e planos de contingência para a região. As equipes de proteção civil realizam simulações periódicas com a comunidade local.

Principais fatos sobre a erupção

  • Data do início: 29 de maio de 2024
  • Localização: Península de Reykjanes, Islândia (sistema vulcânico Fagradalsfjall)
  • Tipo de erupção: Fissural basáltica
  • Altura dos jatos de lava: De 30 a 80 metros
  • Altitude da pluma de gases: Até 3 km
  • Temperatura da lava: Aproximadamente 1.100 °C
  • Área coberta por lava: Vários quilômetros quadrados (estimativa inicial de 4,5 km²)
  • Nível de alerta aéreo: Laranja
  • Número de terremotos precursores: Mais de 6.000 em 10 dias

Perguntas Frequentes

A erupção na Islândia oferece risco à população local?

A erupção ocorre em uma área relativamente remota e monitorada de perto. O maior risco imediato é a inalação de gases vulcânicos. As autoridades islandesas orientam a não se aproximar do local e seguir as instruções das equipes de emergência. Evacuações preventivas foram realizadas em Grindavík e na região turística da Lagoa Azul.

O tráfego aéreo foi afetado?

Diferentemente da erupção do Eyjafjallajökull em 2010, a erupção atual emite pouca cinza fina. O aeroporto de Keflavík opera normalmente, mas há restrições temporárias no espaço aéreo em um raio de 20 km da fissura. Companhias aéreas monitoram a situação e ajustam rotas conforme necessário.

Essa erupção pode impactar o clima global?

Erupções basálticas como essa liberam principalmente dióxido de enxofre (SO₂) e outros gases. Grandes volumes podem causar resfriamento temporário em escala regional, mas não são esperados efeitos climáticos globais significativos. A quantidade de gases emitida é insuficiente para alterar as temperaturas globais de forma perceptível.

É possível visitar o local para ver a lava de perto?

As autoridades islandesas bloquearam o acesso à zona eruptiva enquanto a atividade estiver intensa. Apenas equipes científicas e de proteção civil podem se aproximar. Para turistas interessados, há áreas seguras de observação a uma distância regulamentar. Recomenda-se contratar guias locais oficiais e verificar as condições no site do IMO.

Por que a Islândia tem tanta atividade vulcânica?

A Islândia está em um ponto quente (hotspot) sobre a dorsal mesoatlântica. A combinação de pluma mantélica e divergência de placas torna o país um dos lugares mais vulcanicamente ativos do mundo. Cerca de 30 sistemas vulcânicos ativos estão em atividade, com erupções a cada 4-5 anos em média.

A erupção pode gerar um tsunami ou terremotos fortes?

Erupções fissurais basálticas não costumam gerar tsunamis, diferentemente de erupções explosivas subglaciais. Terremotos associados à subida do magma geralmente são de magnitude baixa a moderada (até 4,5 na escala Richter), raramente causando danos estruturais.