Uma doença infecciosa transmitida por mosquitos avança por diversos países europeus e acendeu alertas nas autoridades sanitárias do Brasil, especialmente com a proximidade dos Jogos Olímpicos de Paris 2024. O aumento expressivo de casos na Europa, aliado ao intenso fluxo de turistas brasileiros que viajarão para o evento, preocupa especialistas, que veem risco real de introdução e propagação da doença no território nacional. A situação mobiliza o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as secretarias estaduais de saúde, que intensificaram as medidas de vigilância em portos, aeroportos e fronteiras.
O surto na Europa
Nas últimas semanas, países como França, Itália, Espanha e Alemanha registraram um aumento significativo de casos da doença. As autoridades de saúde europeias atribuem o crescimento a uma combinação de fatores: mudanças climáticas que ampliam a temporada de reprodução dos mosquitos vetores, verões mais longos e quentes, e a circulação de pessoas entre regiões endêmicas e não endêmicas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu recomendações para que os países reforcem a vigilância epidemiológica e implementem campanhas de prevenção direcionadas a viajantes e populações locais.
Na França, país-sede da Olimpíada, os casos da doença mais que dobraram em relação ao mesmo período do ano anterior. O governo francês ativou planos de contingência e ampliou a capacidade de testagem e atendimento nos postos de saúde. A situação levou o Comitê Olímpico Internacional (COI) a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades locais para garantir que atletas, staff e visitantes tenham acesso a informações claras sobre prevenção e conduta em caso de sintomas.
Por que o Brasil está preocupado?
O Brasil já convive com doenças transmitidas pelos mesmos mosquitos, como dengue, zika e chikungunya. A introdução de um novo sorotipo ou de uma doença contra a qual a população tem baixa imunidade pode sobrecarregar o sistema de saúde. Estima-se que dezenas de milhares de brasileiros viajarão para Paris durante os Jogos, e muitos retornarão ao país em um período de incubação da doença, podendo espalhar o vírus para regiões onde os vetores estão presentes.
A Anvisa intensificou a fiscalização em aeroportos e portos, com equipes treinadas para identificar viajantes com sintomas e realizar testagem rápida. Além disso, o Ministério da Saúde lançou campanhas de conscientização nas redes sociais e nos meios de comunicação, orientando sobre os sintomas, as formas de prevenção e a importância de procurar atendimento médico ao apresentar febre após viagem internacional.
Outro ponto de atenção é a época do ano: julho e agosto são meses de inverno no Brasil, mas as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste mantêm temperaturas elevadas e alta pluviosidade, condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti. Com a volta dos viajantes, o risco de transmissão local aumenta consideravelmente.
Alerta para a Olimpíada de Paris
Os organizadores dos Jogos Olímpicos de Paris implementaram uma série de protocolos sanitários para minimizar os riscos. Entre as medidas estão a instalação de postos médicos equipados para diagnóstico rápido, distribuição de repelentes em pontos estratégicos, campanhas informativas em múltiplos idiomas e monitoramento contínuo de casos suspeitos entre atletas e visitantes. O COI também estabeleceu diretrizes para as delegações, incentivando a vacinação quando disponível e a adoção de medidas de proteção individual.
A recomendação principal para quem vai acompanhar os Jogos é manter a caderneta de vacinação em dia, usar repelentes de insetos (preferencialmente à base de DEET, icaridina ou IR3535), vestir roupas claras que cubram a maior parte do corpo, evitar perfumes e manter os ambientes com telas ou ar-condicionado. Durante a permanência na França, é prudente evitar áreas com água parada e acúmulo de lixo, que podem servir de criadouro para mosquitos.
As autoridades francesas também montaram uma força-tarefa para realizar fumacê em regiões de maior incidência de mosquitos, especialmente próximas a estádios, vilas olímpicas e pontos turísticos. A população local foi orientada a eliminar recipientes que possam acumular água e a colaborar com a vigilância sanitária.
Sintomas comuns
- Febre alta (39 °C ou mais), de início súbito
- Dor de cabeça intensa, principalmente atrás dos olhos
- Dores musculares e articulares (poliartralgia)
- Cansaço extremo e fraqueza, que podem persistir por semanas
- Manchas vermelhas na pele (exantema), que coçam ou não
- Náuseas, vômitos e diarreia
- Inchaço nos gânglios linfáticos (ínguas)
Em casos mais graves, podem ocorrer complicações como hemorragias, encefalite e síndrome de Guillain-Barré. Por isso, é essencial procurar atendimento médico ao primeiro sinal de febre, especialmente se houver histórico de viagem para áreas de transmissão ativa.
Transmissão e prevenção
A transmissão da doença ocorre pela picada de mosquitos infectados, principalmente do gênero Aedes (como o Aedes aegypti e o Aedes albopictus). Esses mosquitos se reproduzem em água parada e têm hábito diurno, com picos de atividade no início da manhã e no final da tarde. A prevenção, portanto, envolve tanto a proteção individual quanto o controle ambiental.
Medidas individuais eficazes incluem:
- Usar repelente nas áreas expostas da pele, reaplicando conforme a orientação do fabricante
- Instalar telas em janelas e portas
- Dormir com mosquiteiro, especialmente em locais sem climatização
- Usar roupas compridas e de cores claras
- Evitar o uso de perfumes e cosméticos com fragrância, que atraem mosquitos
Medidas coletivas e ambientais:
- Eliminar recipientes que possam acumular água (pneus, garrafas, vasos, calhas)
- Manter caixas d'água e lixeiras bem fechadas
- Limpar bandejas de ar-condicionado e bebedouros de animais regularmente
- Tratar piscinas com cloro e cobri-las quando não estiverem em uso
Preparação para a viagem
Quem planeja viajar para Paris durante os Jogos Olímpicos deve tomar algumas precauções antes de embarcar:
- Consultar um médico para avaliar a necessidade de vacinas e obter orientações personalizadas
- Adquirir repelentes adequados para a região e verificar se podem ser levados na bagagem de mão
- Montar um kit de primeiros socorros com antitérmicos, analgésicos e termômetro
- Contratar seguro viagem que cubra despesas médicas e repatriação
- Registrar o roteiro no site do Consulado Brasileiro na França para facilitar a localização em caso de emergência
Durante a estadia, mantenha-se hidratado, evite exageros na exposição ao sol e siga as recomendações das autoridades locais. Ao retornar ao Brasil, fique atento a qualquer sintoma nos 14 dias seguintes e, se necessário, procure atendimento médico informando sobre a viagem.
Perguntas frequentes
O que é a doença que atinge a Europa?
Trata-se de uma doença infecciosa causada por um vírus transmitido pela picada de mosquitos infectados, principalmente do gênero Aedes. Os sintomas são semelhantes aos da dengue e da chikungunya, incluindo febre alta, dores musculares e manchas na pele. A maioria dos casos evolui para recuperação completa, mas complicações graves podem ocorrer em pessoas com imunidade comprometida ou doenças preexistentes.
Como posso me proteger durante a viagem a Paris?
Use repelentes de insetos (preferencialmente à base de DEET, icaridina ou IR3535), vista roupas claras que cubram braços e pernas, evite perfumes e mantenha ambientes com telas ou ar-condicionado. Verifique se suas vacinas estão em dia e consulte um médico antes de viajar. Durante os Jogos, evite aglomerações em locais abertos ao entardecer, quando os mosquitos são mais ativos.
Preciso cancelar minha ida aos Jogos Olímpicos?
Não há recomendação oficial de cancelamento. As autoridades sanitárias orientam que os viajantes adotem medidas preventivas e estejam atentos aos sintomas. Caso apresente febre ou outros sinais após o retorno, busque atendimento médico e informe sobre o histórico de viagem. O nível de alerta é de precaução, não de pânico.
Quanto tempo dura o período de incubação?
O período de incubação geralmente varia de 3 a 14 dias após a picada do mosquito infectado. A maioria dos casos manifesta sintomas entre 4 e 7 dias. Durante esse período, a pessoa pode não apresentar sintomas, mas já está apta a transmitir o vírus se for picada por um mosquito.
Existe tratamento específico para a doença?
Não há antiviral específico aprovado para a doença. O tratamento é de suporte, com foco no alívio dos sintomas: repouso, hidratação e uso de medicamentos para febre e dor (evitando anti-inflamatórios não esteroides em casos suspeitos de dengue, devido ao risco de hemorragia). Em casos graves, pode ser necessária internação para monitoramento e suporte intensivo.
Com informações do Brasil 247