O dólar encerrou o dia 10 de julho de 2024 cotado a R$ 5,46, uma queda de 2,27% em relação ao dia anterior. O recuo da moeda americana reflete uma combinação de fatores internos e externos que têm impulsionado o real nos últimos dias.
No cenário internacional, a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) comece a reduzir as taxas de juros nos Estados Unidos ainda neste ano tem enfraquecido o dólar globalmente. Isso ocorre porque juros mais baixos tornam os títulos americanos menos atrativos, levando investidores a buscar ativos com maior rendimento em economias emergentes, como o Brasil. Além disso, sinais de desaceleração da economia americana também contribuem para a desvalorização da moeda.
No front doméstico, a tramitação de reformas econômicas no Congresso, aliada ao controle da inflação e à manutenção da taxa Selic em patamares elevados, tem atraído capital estrangeiro. O fluxo de investimentos para a bolsa de valores e para a renda fixa brasileira aumenta a oferta de dólares no mercado, pressionando a cotação para baixo.
A queda de 2,27% é uma das maiores do mês e alivia a pressão sobre o câmbio, que vinha operando em níveis elevados. Para importadores, a desvalorização do dólar é benéfica, pois reduz custos de insumos e matérias-primas. Já exportadores podem sentir o impacto na competitividade de seus produtos no exterior.
O mercado cambial permanece volátil, e a tendência do dólar dependerá dos próximos dados econômicos — como o IPCA (inflação oficial) e o PIB —, além das decisões de política monetária do Banco Central. Analistas projetam que, se o cenário fiscal brasileiro se mantiver sob controle e o ambiente externo favorável, o dólar pode continuar recuando.