Ministro israelense afirma em entrevista exclusiva ao Poder360 que interromper campanha militar em Gaza seria um erro estratégico e ceder à pressão internacional é "loucura sem sentido".

O ministro israelense, que integra o alto escalão do governo de Benjamin Netanyahu, concedeu uma entrevista exclusiva ao Poder360 em Jerusalém. Durante a conversa, ele foi enfático ao rejeitar os crescentes apelos internacionais por um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza. "Parar a guerra é uma loucura sem sentido", declarou o ministro. "Estamos no meio de uma batalha existencial. Interrompê-la agora seria um presente para o Hamas e uma ameaça direta à segurança de todos os israelenses."

A declaração ocorre em um momento crítico do conflito, com as forças israelenses avançando sobre a cidade de Rafah, no sul de Gaza, onde mais de um milhão de civis estão abrigados. A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, tem pressionado Israel a apresentar um plano viável para proteger os civis ou recuar da ofensiva.

De acordo com o ministro, a pressão da comunidade internacional é "seletiva e injusta". Ele criticou duramente as decisões da Corte Internacional de Justiça (CIJ) e as resoluções da ONU, classificando-as como "tendenciosas". "O mundo parece ter esquecido o massacre de 7 de outubro. Não podemos permitir que o terrorismo seja recompensado com um cessar-fogo que não exija a rendição incondicional do Hamas", afirmou.

Reações e consequências políticas

As declarações geraram reações imediatas dentro e fora de Israel. A oposição israelense acusou o ministro de "sabotar" as negociações para a libertação dos reféns. "Enquanto o governo prioriza a guerra total, os sequestrados continuam sofrendo no cativeiro. Esta não é uma política de segurança, é uma política de abandono", disse um parlamentar da oposição.

Nos territórios palestinos, a Autoridade Palestina condenou veementemente as falas. "Esta é a prova de que o governo israelense não está interessado na paz. Eles querem a guerra, a destruição e a ocupação", afirmou um porta-voz.

Analistas políticos consultados pelo Poder360 acreditam que a postura linha-dura do ministro atende a interesses políticos internos. "Netanyahu precisa manter sua coalizão unida. Os partidos de extrema-direita ameaçam derrubar o governo se ele ceder à pressão internacional. Portanto, declarações como esta são uma forma de acenar para essa base", explicou um analista político ouvido pela reportagem.

Crise humanitária e expansão regional

A situação humanitária em Gaza continua a se deteriorar. A ONU estima que 80% da população foi deslocada internamente. Hospitais operam sem combustível, e a fome se espalha. Organizações de saúde, como Médicos Sem Fronteiras (MSF), alertam para uma catástrofe iminente.

Regionalmente, o conflito se expande. O Hezbollah, no Líbano, intensificou os ataques contra o norte de Israel. Os Houthis, no Iêmen, continuam a bloquear o Mar Vermelho em apoio aos palestinos, afetando o comércio global. O Irã, principal patrocinador do Hamas e do Hezbollah, observa o cenário com atenção, avaliando seus próprios movimentos.

Em termos econômicos, a guerra já custou bilhões de shekels à economia israelense. O setor de turismo está paralisado, e startups de tecnologia enfrentam dificuldades para captar investimentos. A moeda local, o shekel, tem se desvalorizado frente ao dólar.

Pontos-chave da declaração

  • Cessar-fogo é 'loucura sem sentido': O ministro classificou os apelos internacionais para interromper a guerra como um erro estratégico que beneficiaria o Hamas.
  • Pressão internacional injusta: Ele criticou a ONU e a CIJ, afirmando que as instituições internacionais têm um viés contra Israel.
  • Guerra até a vitória total: O governo israelense não aceitará um cessar-fogo que não inclua a rendição incondicional do Hamas e a libertação de todos os reféns.
  • Impacto humanitário e regional: Apesar da crise em Gaza e da expansão do conflito para o Líbano e Iêmen, o ministro defende a continuidade das operações militares.

As negociações mediadas por Catar, Egito e Estados Unidos seguem em ritmo lento. O Hamas exige um cessar-fogo permanente e a retirada total das tropas israelenses de Gaza como condição para qualquer acordo. Israel, por sua vez, insiste que a guerra só terminará com a destruição completa do braço militar e governamental do Hamas.

O ministro israelense, no entanto, não demonstrou disposição para recuar. "A guerra é cruel, mas necessária. Parar agora seria uma loucura sem sentido. Estamos determinados a devolver a segurança ao povo de Israel", concluiu.