Um homem foi detido por autoridades alfandegárias chinesas ao tentar entrar na China pelo posto de fronteira de Huanggang, em Shenzhen, com mais de 100 cobras vivas escondidas dentro das pernas de suas calças. O caso, considerado inusitado pelas autoridades, foi divulgado nesta semana pela imprensa internacional.
A descoberta na alfândega
Durante uma inspeção de rotina no posto que conecta Hong Kong ao continente chinês, agentes da alfândega notaram algo incomum no andar do viajante. Ao ser submetido a uma revista mais detalhada, os fiscais encontraram diversos sacos de pano amarrados em suas pernas, contendo um total de 104 cobras vivas de diferentes espécies.
Os animais estavam acondicionados em sacos de algodão que haviam sido costurados no interior das pernas da calça do suspeito, em uma tentativa de ocultá-los durante a travessia. O homem tentava entrar na China vindo de Hong Kong quando foi selecionado para a inspeção de rotina. Segundo as autoridades chinesas, o método de ocultação chamou a atenção justamente por tentar disfarçar o contrabando como parte da vestimenta do viajante.
Espécies encontradas
Entre as serpentes apreendidas estavam espécies como cobras-do-leite (Lampropeltis triangulum) e cobras-milho (Pantherophis guttatus), ambas nativas das Américas e populares no comércio de animais exóticos em todo o mundo. Algumas das cobras apreendidas podem pertencer a espécies protegidas pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), o que agrava ainda mais a situação legal do suspeito.
No mercado ilegal chinês, o valor desses animais pode variar significativamente dependendo da raridade e da demanda, com algumas espécies alcançando preços elevados entre colecionadores e criadores de animais exóticos. As cobras-do-leite, por exemplo, são valorizadas por seus padrões de coloração vibrantes, enquanto as cobras-milho são populares como animais de estimação exóticos em diversos países.
Tráfico internacional de animais silvestres
O caso ilustra uma prática recorrente nas fronteiras asiáticas: o contrabando de animais silvestres para alimentar o mercado ilegal de pets exóticos e a medicina tradicional. A China é um dos principais destinos do tráfico internacional de animais, com uma demanda que movimenta bilhões de dólares anualmente em todo o mundo.
As autoridades chinesas têm intensificado a fiscalização nos postos de fronteira, especialmente após a reabertura total das fronteiras no período pós-pandemia. Métodos criativos e arriscados de ocultação, como o utilizado neste caso, demonstram a determinação dos contrabandistas em burlar a fiscalização, colocando em risco não apenas os animais, mas também a saúde pública devido ao potencial de transmissão de doenças zoonóticas.
O tráfico de animais silvestres é considerado uma das atividades ilegais mais lucrativas do mundo, ficando atrás apenas do tráfico de drogas, armas e seres humanos. Estima-se que o comércio ilegal de vida selvagem movimente entre US$ 7 e US$ 23 bilhões por ano globalmente, alimentando um mercado que envolve desde animais vivos até partes e derivados utilizados em supostos tratamentos medicinais.
Consequências legais
O suspeito foi detido e encaminhado para investigação pelas autoridades chinesas. A China possui leis rigorosas de proteção à vida selvagem, com penalidades que podem incluir multas elevadas e penas de prisão que variam conforme a gravidade do crime e as espécies envolvidas.
A legislação chinesa prevê punições especialmente severas para o contrabando de espécies ameaçadas de extinção. As autoridades continuam investigando para determinar a origem exata das cobras e o destino que teriam no mercado ilegal caso não tivessem sido interceptadas. O caso também levanta questões sobre as rotas utilizadas pelos contrabandistas e a possível participação de redes organizadas no tráfico de animais silvestres na região.
Perguntas frequentes
1. Por que as pessoas contrabandeiam animais vivos dessa forma?
O principal motivo é o alto valor que espécies exóticas e raras alcançam no mercado ilegal. Na Ásia, há demanda tanto para o comércio de animais de estimação exóticos quanto para uso em práticas de medicina tradicional, onde partes de animais são utilizadas em preparações terapêuticas. A raridade de determinadas espécies eleva ainda mais seu valor no mercado clandestino.
2. Quais as penalidades para o tráfico de animais na China?
A China possui leis rigorosas contra o tráfico de vida selvagem, com penas que podem incluir multas substanciais e prisão por até vários anos, especialmente quando envolvem espécies protegidas internacionalmente. A aplicação da lei tem se tornado mais severa nos últimos anos, com um aumento no número de fiscalizações e operações de combate ao tráfico.
3. O que acontece com os animais apreendidos?
Animais vivos apreendidos em operações de combate ao tráfico são encaminhados para centros de reabilitação ou zoológicos, onde recebem cuidados veterinários e são avaliados para possível repatriação ou integração a programas de conservação. Dependendo da espécie e da origem, os animais podem ser devolvidos a seus habitats naturais quando possível.
4. Como as autoridades detectam esse tipo de contrabando?
As alfândegas utilizam tecnologias de escaneamento de bagagem, cães farejadores e treinamento especializado de agentes para identificar comportamentos suspeitos e detectar produtos ilegais, incluindo animais vivos ocultos em bagagens ou roupas. A conscientização sobre os métodos de ocultação mais comuns também ajuda os fiscais a identificar potenciais contrabandistas.
Fonte: Terra