PF faz buscas e tenta prender cinco em investigação sobre uso da Abin para espionagem ilegal e fake news – G1

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (12) uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão temporária contra cinco investigados por envolvimento em um esquema de espionagem ilegal e disseminação de fake news por meio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é mais um desdobramento das investigações sobre a chamada "Abin paralela".

De acordo com as apurações, a Abin utilizou o sistema de geolocalização FirstMile, adquirido sem licitação, para monitorar ilegalmente autoridades, jornalistas, opositores políticos e até ministros do STF. Além do rastreamento de celulares, há indícios de que a estrutura da agência foi empregada para produzir e disseminar notícias falsas com o objetivo de beneficiar aliados do governo. A operação desta sexta-feira cumpre mandados no Distrito Federal, em São Paulo e em outros estados.

As investigações correm em sigilo, mas a PF já identificou que o esquema teria sido montado durante o governo anterior e continuou operando nos primeiros meses da atual gestão. O caso gerou forte repercussão no Congresso, com pedidos de CPI e convocações de ex-diretores da Abin. Os crimes investigados incluem invasão de dispositivo informático, organização criminosa e interceptação ilegal de comunicações, com penas que podem chegar a 12 anos de prisão.

O escândalo da Abin paralela levanta questões sobre o controle dos órgãos de inteligência e a necessidade de maior transparência. A Abin, criada em 1999, tem a missão de produzir informações estratégicas para a segurança do Estado, mas sua atuação deve ser regulada por leis e fiscalizada pelo Congresso. A operação de hoje reforça o debate sobre os limites do uso de ferramentas de vigilância pelo Estado e o risco de desvios políticos.

Entenda o caso Abin paralela

12-07-2024

A Abin paralela é como ficou conhecido o esquema de espionagem ilegal e fake news dentro da agência. A PF já ouviu dezenas de testemunhas e analisa documentos apreendidos em operações anteriores.