A NASA confirmou a descoberta da primeira caverna lunar, um tubo de lava localizado no Mar da Tranquilidade. A descoberta foi feita a partir de dados da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), que utilizou o instrumento Mini-RF (Miniature Radio-Frequency) para penetrar a superfície lunar com ondas de radar. A confirmação, publicada em um estudo científico, revela uma cavidade subterrânea a cerca de 150 metros de profundidade, com aproximadamente 30 metros de diâmetro, que pode estar intacta e estável. A descoberta abre novas possibilidades para a exploração humana da Lua, oferecendo abrigos naturais para futuras missões.

O que são tubos de lava?

Tubos de lava, ou cavernas lunares, são formações subterrâneas criadas por antigos fluxos de lava. Quando a lava flui, a superfície externa se solidifica pelo contato com o vácuo do espaço, formando uma crosta, enquanto a lava ainda quente continua fluindo por dentro. Quando a erupção termina, o interior pode esvaziar, deixando um túnel oco. Na Terra, tubos de lava são comuns em regiões vulcânicas como Havaí, Islândia e Ilhas Canárias. Na Lua, devido à menor gravidade, esses tubos tendem a ser muito maiores — podendo atingir centenas de metros de largura, o suficiente para abrigar cidades inteiras. Até agora, a existência de tubos de lava intactos na Lua era apenas teórica, baseada em imagens de poços (claraboias) que sugeriam a presença de cavidades subterrâneas. A confirmação direta por radar representa um marco na geologia planetária.

A descoberta da NASA

Pesquisadores do Instituto de Ciências Planetárias e da Universidade de Purdue analisaram imagens de radar de abertura sintética (SAR) da LRO e identificaram uma cavidade subterrânea a cerca de 150 metros de profundidade, com aproximadamente 30 metros de diâmetro. A caverna parece estar intacta, com paredes lisas e sem sinais de colapso. Isso indica que a estrutura pode ser estável o suficiente para servir como abrigo para astronautas. O local exato é um poço conhecido no Mar da Tranquilidade, uma região de planície basáltica formada por erupções vulcânicas antigas. A área é historicamente significativa: foi onde a missão Apollo 11 pousou em 1969. A descoberta não foi imediata — os dados foram coletados em 2010, mas apenas recentemente, com novas técnicas de processamento de imagens de radar, os cientistas conseguiram confirmar a presença da cavidade. O estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters.

Importância para exploração futura

Uma caverna lunar oferece proteção natural contra diversos perigos do ambiente espacial. A superfície da Lua é bombardeada por radiação cósmica e solar, além de micrometeoritos. As temperaturas na superfície variam de -180°C durante a noite lunar a 120°C durante o dia. No interior de um tubo de lava, a temperatura é muito mais estável, estimada em torno de -20°C. A radiação é significativamente reduzida pela camada de rocha acima. Além disso, a caverna poderia facilitar a instalação de uma base lunar, reduzindo a necessidade de construção de habitats blindados e sistemas complexos de suporte de vida.

Benefícios principais de uma base subterrânea:

  • Proteção contra radiação: 2 a 3 metros de regolito já oferecem blindagem equivalente à da atmosfera terrestre, protegendo contra partículas solares e raios cósmicos.
  • Isolamento térmico: a temperatura constante elimina a necessidade de sistemas ativos de aquecimento e resfriamento.
  • Abrigo contra micrometeoritos: a camada rochosa absorve impactos de partículas de alta velocidade.
  • Potencial para recursos: cavernas podem conter gelo de água, especialmente em regiões permanentemente sombreadas próximas aos polos.
  • Menor custo de construção: aproveitar estruturas naturais reduz a quantidade de material a ser transportado da Terra.

Os próximos passos

A NASA planeja realizar missões robóticas para explorar a caverna com mais detalhes. O programa Artemis, que pretende levar a primeira mulher e o próximo homem à Lua até 2026, inclui a exploração de recursos lunares. Uma missão específica, chamada Moon Diver (conceito do JPL), propunha usar um rover com rodas para descer por um poço lunar e explorar o interior. Embora não tenha sido selecionada para voo, o conceito pode ser adaptado para futuras missões.

Além disso, a ESA (Agência Espacial Europeia) também estuda cavernas lunares com projetos como ‘Caves’ e ‘Pangaea’, que treinam astronautas em cavernas na Terra. O uso de drones ou robôs com câmeras, sensores de radar e espectrômetros poderia mapear o interior, verificar a estabilidade, medir os níveis de radiação e procurar sinais de gelo de água. A descoberta reforça a importância da ciência básica: os dados da LRO, originalmente projetada para mapear a Lua em alta resolução, continuam gerando descobertas mesmo anos após o término da missão primária. A caverna será um alvo prioritário para futuras missões de exploração.

Comparação com tubos de lava na Terra

Na Terra, tubos de lava são explorados por cientistas para entender processos vulcânicos e também como análogos para habitats extraterrestres. No Havaí, o tubo de lava Kazumura tem mais de 60 km de extensão. Na Islândia, cavernas como Surtshellir e Stefanshellir são destinos turísticos e científicoS. Esses ambientes ajudam a prever como seriam as cavernas lunares e a testar equipamentos de exploração. Missões análogas em cavernas terrestres já são usadas para treinar astronautas para futuras missões lunares e marcianas. A comparação com os tubos de lava terrestres também auxilia na estimativa da estabilidade estrutural da caverna lunar recém-descoberta.

Principais fatos sobre a descoberta:

  • Primeira caverna lunar confirmada a partir de dados de radar
  • Localizada no Mar da Tranquilidade, na face visível da Lua
  • Profundidade estimada de 150 metros
  • Diâmetro estimado de 30 metros
  • Possível uso como abrigo para bases lunares
  • Descoberta baseada em dados da sonda LRO da NASA e do instrumento Mini-RF
  • Estudo publicado na revista Geophysical Research Letters

Perguntas frequentes

A caverna pode ser habitada?
Sim, teoricamente. O ambiente subterrâneo oferece proteção contra radiação e variações térmicas, mas ainda são necessários estudos sobre ventilação, umidade, presença de gelo e estabilidade estrutural. A pressão interna é de vácuo, portanto qualquer habitat precisaria ser pressurizado, mas a estrutura rochosa fornece contenção natural.

Como os pesquisadores detectaram a caverna?
Usando radar de penetração superficial. O instrumento Mini-RF da LRO emite ondas de rádio que penetram alguns metros no solo e refletem em interfaces entre materiais. A cavidade produz um sinal de eco distinto, indicando um vazio. Técnicas de processamento avançadas permitiram isolar o eco da cavidade do ruído de fundo.

A caverna pode conter gelo de água?
Não há evidências diretas, mas a temperatura no interior pode ser baixa o suficiente para reter gelo de água se houver alguma fonte. A região do Mar da Tranquilidade não é permanentemente sombreada, o que reduz a probabilidade, mas não a descarta completamente. Futuras missões poderão usar instrumentos de detecção de hidrogênio para verificar a presença de água.

Quando os humanos poderão visitar a caverna?
Ainda não há previsão. Missões robóticas nos próximos anos devem avaliar a estrutura em detalhes. Uma visita tripulada dependeria do desenvolvimento de tecnologias específicas, como rovers capazes de descer em poços, sistemas de teleoperação e habitats subterrâneos. O programa Artemis pode incluir esse objetivo em fases posteriores, possivelmente na década de 2030.

Existem outras cavernas na Lua?
Sim. As imagens orbitais sugerem dezenas de claraboias (poços) que podem estar conectados a tubos de lava. Esta é a primeira confirmação direta de uma cavidade intacta, mas outras também podem ser confirmadas com o mesmo método de radar. Cientistas estimam que existam centenas de tubos de lava na Lua, muitos deles ainda não descobertos.

Essa descoberta marca um avanço significativo na compreensão da geologia lunar e abre caminho para explorações futuras. O estudo foi liderado por cientistas do Instituto de Ciências Planetárias e da Universidade de Purdue, com financiamento da NASA.