O xerife do condado de Butler, na Pensilvânia, Michael Slupe, afirmou em entrevista que um policial local conseguiu subir no telhado onde o atirador Thomas Matthew Crooks estava instalado antes do início dos disparos contra o ex-presidente Donald Trump, no comício do dia 13 de julho de 2024. O relato, divulgado com exclusividade para a imprensa local e repercutido pelo G1, lança uma nova luz sobre os momentos que antecederam o atentado que chocou os Estados Unidos.
O Relato do Xerife
De acordo com Slupe, o policial fazia parte do efetivo de segurança local responsável pelo perímetro externo do evento. Durante uma varredura de rotina, o agente avistou uma figura suspeita no telhado de um prédio anexo ao local do comício. Ao escalar o edifício para verificar, o policial deparou-se com Crooks, que portava um fuzil AR-15. O atirador rapidamente apontou a arma para o policial, que, para se proteger, soltou-se da borda do telhado e caiu de uma altura considerável. Imediatamente, o policial acionou o rádio para alertar seus superiores sobre a presença do atirador e sua localização exata. "Ele fez exatamente o que deveria ser feito", afirmou o xerife, defendendo a ação de seu subordinado.
A Cronologia dos Fatos
A revelação do xerife Butler contradiz a percepção inicial de que o atirador não foi detectado antes de abrir fogo. Testemunhas presentes no comício já haviam reportado ter visto um homem armado no telhado para a polícia local minutos antes dos disparos. No entanto, a comunicação entre a polícia local e o Serviço Secreto, responsável direto pela segurança do ex-presidente, parece ter falhado. Os 11 segundos entre o primeiro alerta do policial e o início dos disparos de Crooks são agora o foco central das investigações do FBI. Apesar do alerta, a equipe de contra-ataque do Serviço Secreto só conseguiu neutralizar o atirador após ele ter efetuado os tiros que feriram Trump, mataram o ex-bombeiro Corey Comperatore e feriram gravemente outras duas pessoas.
As Falhas de Segurança
O caso trouxe à tona graves questionamentos sobre os protocolos de segurança em eventos de campanha nos EUA. O prédio onde Crooks se posicionou era amplamente conhecido como um ponto cego pela polícia local, que havia solicitado reforços ao Serviço Secreto. A diretora do Serviço Secreto, Kimberly Cheatle, que posteriormente renunciou ao cargo, admitiu que o órgão foi informado sobre a presença de um "indivíduo suspeito" no local, mas falhou em agir rapidamente. As audiências no Congresso dos EUA revelaram uma série de falhas de planejamento, comunicação e execução que permitiram que um atirador com um rifle tivesse uma linha de tiro clara contra um candidato à presidência.
O Perfil do Atirador
Thomas Matthew Crooks, de 20 anos, era um jovem discreto, sem antecedentes criminais ou filiação política clara. Ele residia em Bethel Park, Pensilvânia, e trabalhava em um lar de idosos. Crooks comprou legalmente o fuzil AR-15 utilizado no atentado. Investigações posteriores revelaram que ele havia pesquisado sobre a distância entre o palco e os edifícios vizinhos, além de ter feito buscas sobre a data do comício de Trump. Dispositivos explosivos caseiros foram encontrados em seu carro e em sua residência, indicando um planejamento meticuloso do ataque.
Repercussão e Investigação
O atentado gerou uma onda de comoção nacional e elevou a tensão política nos Estados Unidos. Donald Trump, que sofreu um ferimento leve na orelha, participou da Convenção Nacional Republicana dias após o ataque, onde foi oficialmente nomeado candidato à presidência. O FBI lidera a investigação sobre o caso, buscando entender a motivação de Crooks. O episódio tornou-se um marco na campanha eleitoral de 2024, acirrando o debate sobre a polarização política e a violência armada no país.
Perguntas Frequentes
Por que o policial não conseguiu impedir o atirador?
Segundo o xerife, o policial foi surpreendido pela arma apontada para ele e precisou recuar para salvar a própria vida. A prioridade no momento foi alertar o comando sobre a ameaça.
O atirador conseguiu disparar contra o policial?
Não. Crooks não atirou contra o policial. Ele manteve a arma apontada para o agente, que caiu do telhado ao tentar se desvencilhar. O atirador então voltou sua atenção para o palco.
Quantos tiros foram disparados ao todo?
Crooks disparou oito tiros com seu fuzil AR-15 antes de ser morto por um franco-atirador do Serviço Secreto.
O que aconteceu com o policial que caiu do telhado?
O policial sofreu ferimentos leves com a queda e foi tratado no local. Ele está afastado das funções, mas sem ferimentos graves.
Qual o impacto político do atentado?
O atentado unificou temporariamente as lideranças políticas em repúdio à violência, mas rapidamente se tornou um ponto de discórdia, com acusações mútuas sobre a retórica política inflamada e as falhas de segurança atribuídas ao Serviço Secreto.
Fonte: G1